sábado, 13 de agosto de 2016

O que se entende por perfeição divina?

"Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus."(Mateus 5:48; 6:8)

... e, o que se entende por perfeição divina? Uma vez que nossa mente se circunscreve num mundo de relatividade - dentro do tempo, do espaço e da causalidade - não temos condição de saber o que seja esta perfeição, porque ela é absoluta. Temos uma vaga ideia de que ela se refere a um estado de plenitude, de paz permanente e de realização. Todo ser humano deseja encontrar a realização e a perfeição - em suas relações com outros seres humanos, em seu trabalho, em cada segmento da vida. Todavia, ao atingir os objetivos que o mundo tem a oferecer, não se sente ainda satisfeito. 

Podemos gozar de alguns prazeres e sucessos. Mas, esquecemos sempre de que eles são sempre passageiros. Se aceitamos os prazeres e o sucesso, devemos estar prontos a aceitar também a dor e o fracasso. 

Kapila, filósofo da Índia antiga, expressou de forma negativa a perfeição, como "a cessação completa da desolação". Os sábios védicos procuram exprimi-la positivamente, como Sat, a vida imortal; Chit, o conhecimento infinito, e Ananda, o amor e o êxtase eternos (por inconsciente e mal-orientado que possa ser) de encontrar Sat-chit-ananda - em outras palavras, a realidade suprema, Deus. Mas, desde que a maioria de nós não tem consciência de que a finalidade real da vida é encontrar Deus, continuamos a repetir as mesmas alegrias e tristezas indefinidamente. Gastamos nossa energia em realizações efêmeras, buscado recompensa infinita no que é finito. 

Somente após passarmos por muitas experiências de prazeres e de dor, ocorre-nos o discernimento espiritual. Começamos então a ver que nada neste mundo pode dar-nos satisfação duradoura. Aí entendemos que o desejo de felicidade permanente, de perfeição, só pode ser satisfeito na verdade eterna de Deus.
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Trechos do livro O Sermão da Montanha segundo o Vedanta, Swami Prabhavananda, São Paulo: Pensamento, 1986, p. 73/4.