sábado, 10 de dezembro de 2016

O Espírito Infinito em nós, a Alma de nossas almas...

"Um filho perguntou ao pai: 'Mestre, fale-me sobre Brahman'. 
E o pai respondeu: 'Compreenda Aquele de onde todas as coisas são provenientes, por quem vivem as coisas e para onde as coisas regressaram - este é Brahman'. (Taittirīya Upaniṣad, 3. 1. 1)

Em nossas escrituras devocionais (bhakti) chamamos Brahman por vários nomes como Narāyāṇa ou Kālī ou Śiva . Em Vedānta chamamos Īśvara ou Sat- Cit-Ānanda, Existência-Consciência-Felicidade Infinitas. Ele habita nosso ser como o Espírito de nossos espíritos. E nós também habitamos Nele.

Devemos sentir, pelo menos, a proximidade dele. Se nós não podemos sentir Sua proximidade, devemos tentar desenvolver a consciência de que ele está mais perto do que o mais próximo, que nos é mais caro que o mais querido.

Como já disse, para tudo isto precisamos ter a correta concepção de Deus. Mas Deus é vasto demais para a nossa concepção. Dou um exemplo: Somos como pequenas bolhas. O oceano é muito grande até mesmo para a nossa concepção. Então o que devemos fazer? Devemos encontrar algumas ondas potentes e nos deixar mover em direção a elas, nos agarrarmos a elas e através delas, no decorrer do tempo, teremos uma ideia do próprio oceano. 

Similarmente, começamos nossa viagem espiritual com uma onda grande como uma montanha: Nosso Iṣṭa Devatā. Nós O adoramos, oramos a Ele, e através de dele, chegamos a ter uma consciência mais elevada e uma concepção mais ampla da realidade. O Iṣṭa Devatā nos diz: 'Olhe aqui. Quer sejamos uma onda poderosa ou uma pequena bolha, cada um de nós tem o oceano infinito por detrás de si mesmo.' Quando chega o momento apropriado, Ele nos revela a verdade mais elevada, revela-nos que Ele mesmo não é outro senão o Espírito infinito."

Fontes: 
Texto - Swami Yatiswarananda, monge da Ordem Ramakrishna, Livro Meditation and Spiritual Life
Imagem - Jandir Carlos Welner, Centro Ramakrishna Vedanta Curitiba

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ORIENTE E OCIDENTE, O SEGREDO ESTÁ EM COMBINAR O MELHOR DE AMBOS

Swami Vivekananda (1863-1902), o discípulo mensageiro de Sri Ramakrishna, antes de ir para os Estados Unidos, viveu como monge errante, percorrendo a Índia de norte a sul. Foi nesse período que começou a compreender qual era a fonte secreta da força de seu país. Observou que, apesar das condições miseráveis de pobreza e ignorância em que vivia e de todos os males que isso lhe acarretava, o povo ainda se mantinha firmemente arraigado aos antigos ideais da vida religiosa. O coração de Swamiji vibrava de orgulho pela grandeza espiritual de seu povo e sofria por seu desamparo material. Ao chegar ao ocidente, encontrou exatamente o inverso. De um lado, o conforto material, a prosperidade, a educação avançada e todas as conquistas do intelecto humano. Do outro, a carência espiritual, a falência em reconhecer o único propósito da vida, que é a revelação da presença de Deus no homem. 

Swamiji constatou que o ocidente não fora capaz de aceitar os ideais de Jesus Cristo de todo coração. Percebeu que a civilização perfeita consiste em combinar e harmonizar as generalidades do oriente e do ocidente. Em termos filosóficos, seria uma combinação da vida ativa com a vida contemplativa.

Assim que voltou à Índia, Swamiji conversou com seus irmãos-discípulos e deu uma nova expressão aos ideias propostos por Sri Ramakrishna.
- Não basta alguém dedicar a vida inteira à realização de Deus, apenas para si próprio - disse Swamiji. Vocês devem viver também pelo bem e a felicidade de todos.

Swamiji desejava que seus irmãos combinassem a vida contemplativa com o serviço à humanidade. Assim nasceu a organização conhecida pelo nome de Ramakrishna Mission.
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Fonte: O Eterno Companheiro: Vida e Ensinamentos de Swami Brahmananda. p. 101/102

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Pátria, responsabilidade pessoal, social e orientação Divina.

"Cuidarei de minha pátria
como cuido de mim mesmo;
chegará a nós toda benevolência
tenho fé em mim mesmo.

Com saúde, educação, casa própria
sorrirão na opulência;
brilhará meu país, reluzindo
com abundância".

"...Cada um, Mãe, leva Teu sangue,
és nossa querida Pátria,
no novo mundo do novo dia
Tua forma brilhará com a orientação Divina."

Por Swami Pareshananda
(Diretor Espiritual da Ordem Ramakrishna na Argentina, que frequentemente vem ao Brasil.
Extraído de "Cánticos y Poemas devocionales para crecer en la vida" - La Argentina de los Argentinos)

sábado, 13 de agosto de 2016

O que se entende por perfeição divina?

"Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus."(Mateus 5:48; 6:8)

... e, o que se entende por perfeição divina? Uma vez que nossa mente se circunscreve num mundo de relatividade - dentro do tempo, do espaço e da causalidade - não temos condição de saber o que seja esta perfeição, porque ela é absoluta. Temos uma vaga ideia de que ela se refere a um estado de plenitude, de paz permanente e de realização. Todo ser humano deseja encontrar a realização e a perfeição - em suas relações com outros seres humanos, em seu trabalho, em cada segmento da vida. Todavia, ao atingir os objetivos que o mundo tem a oferecer, não se sente ainda satisfeito. 

Podemos gozar de alguns prazeres e sucessos. Mas, esquecemos sempre de que eles são sempre passageiros. Se aceitamos os prazeres e o sucesso, devemos estar prontos a aceitar também a dor e o fracasso. 

Kapila, filósofo da Índia antiga, expressou de forma negativa a perfeição, como "a cessação completa da desolação". Os sábios védicos procuram exprimi-la positivamente, como Sat, a vida imortal; Chit, o conhecimento infinito, e Ananda, o amor e o êxtase eternos (por inconsciente e mal-orientado que possa ser) de encontrar Sat-chit-ananda - em outras palavras, a realidade suprema, Deus. Mas, desde que a maioria de nós não tem consciência de que a finalidade real da vida é encontrar Deus, continuamos a repetir as mesmas alegrias e tristezas indefinidamente. Gastamos nossa energia em realizações efêmeras, buscado recompensa infinita no que é finito. 

Somente após passarmos por muitas experiências de prazeres e de dor, ocorre-nos o discernimento espiritual. Começamos então a ver que nada neste mundo pode dar-nos satisfação duradoura. Aí entendemos que o desejo de felicidade permanente, de perfeição, só pode ser satisfeito na verdade eterna de Deus.
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Trechos do livro O Sermão da Montanha segundo o Vedanta, Swami Prabhavananda, São Paulo: Pensamento, 1986, p. 73/4.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Rumo à Verdade...

"Devemos seguir em direção à Verdade. Existem muitos enfoques para ela. A alma está seguindo uma certa tendência evolutiva, e algumas vezes se eleva e outras vezes se rebaixa, mas o resultado líquido, ao final, será o progresso. Deve haver um sistema em nosso movimento. Nossas ideias devem ser claras e sistematizadas. Elas podem ser infantis no início, mas não devem ser nebulosas ou indefinidas. Nossa concepção do Divino deve crescer mais e mais conforme avançamos.

O primeiro passo é descobrir onde nós estamos. Descobrir nossa relação para com Deus, a alma e o universo. Para começar, partamos de onde nos encontramos e cumpramos nossas obrigações do dia a dia. Nosso conceito de obrigação evolui conforme nós evoluímos, porém a pureza e a devoção a Deus são fundamentais. Devemos desenvolver uma melhor concepção sobre nós mesmos, do que somos e então pensarmos como produzir uma mudança em nosso interior. Mudanças raras vezes são regulares. Temos altos e baixos, mas devemos ser progressivos, crescer de maneira mais eficaz. Se somos arrastados para baixo, devemos nos mover para cima novamente. Temos nossos estados de espírito. Mas precisamos ter um que seja dominante – calmo e espiritual. Se estamos com raiva, deveríamos pelo menos não envolver toda a nossa mente nisso. Mantenha ao menos uma parte da mente sob controle. Aprenda como permanecer inalterado. Mantendo seu equilíbrio mental. A verdadeira religião pode fazer isto acontecer?

Todos têm uma inquietação por algo mais elevado, é a fome da alma. Esta ‘fome da alma’ existe profundamente em nosso íntimo. Podemos nos esquecer dela temporariamente, mas esta ânsia sempre bate novamente à nossa porta."
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Trecho do livro Doses de Espiritualidade, de Swami Yatswarananda (1889-1966) - Centro Ramakrishna Vedanta Rio de Janeiro, 2014.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma Religião para o Homem Moderno

"A religião moderna deveria nos ensinar sobre nossa própria essência como Espírito. Isto é o que se requer da religião moderna, ou do ensinamento espiritual moderno. Se pudermos nos tornar cônscios daquela essência espiritual interior, nossas relações com o mundo inteiro sofrerão tremendas mudanças, porque veremos que esse 'Eu" está em toda parte. Como Espírito, 'Eu' estou em toda parte. É de fato esse 'Eu' que se manifesta como diferentes indivíduos. 

Está dito no Bhagavad Gita que, quando firo alguém, estou ferindo a mim mesmo. E se alguém me fere, fere a si mesmo. Somos todos um único e onipresente Indivíduo. Diferenças são causadas pelas roupagens que damos àquele Indivíduo, envoltórios que sobrepomos no Espírito, pensando que Este se divide. 

Nos textos em sânscrito, oferece-se a ilustração do 'pote' e do 'espaço' (ou akasha): um pote tem espaço em seu interior; esse é o 'espaço relativo ao pote'. 

No entanto, também do lado de fora o 'espaço' está presente. Portanto, não há limitação real do 'espaço'. A limitação é somente para nossa compreensão. Nós entendemos erroneamente que, uma vez que o pote é limitado, logo o espaço em seu interior também o seria. Da mesma forma, quando pensamos em nós mesmos como limitados pelo complexo corpo-mente, ocorre apenas que os indivíduos parecem ser diferentes uns dos outros. Mas suponhamos que a ênfase esteja no outro aspecto, o Espírito; nesse caso não haverá diferença alguma. 'Estou em tudo' - essa é a declaração da Vedanta.
'Seus pés estão em toda parte, Suas mãos estão em toda parte. Seus ouvidos estão em toda parte; Ele tudo cobre, tudo permeia.' (Svestavara Upanishad, III.16)
Deus está em todo lugar, o Espírito que mora em nosso interior: Ishvarah sarva bhutanam hrddeshe Arjuna tishthati (Bhagavad Gita, 18:61). 'Ele (Ishvara) reside no coração de cada ser.' Aquele Ishvara não é outro senão o meu Ser.
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Trecho do Artigo "A Vida Espiritual na Era Moderna, de Swami Bhuteshananda, Revista Vedanta, Out-Dez 2015.