segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Cristo, O Mensageiro

“Tenho lido as diferentes histórias que se escreveram sobre Cristo; conheço o que os eruditos escreveram, a crítica levantada, e sei que tudo isso foi feito com muito cuidado. Não estou aqui para discutir se os relatos sobre a vida de Cristo é de natureza histórica. Não importa, em absoluto, se o Novo Testamento foi escrito anos após o seu nascimento; tampouco me importa quanto daquela vida é verdade. Mas existe algo nesses ensinamentos que necessitamos imitar.  

É necessário imitar a verdade porque ela é um fato. Não se pode imitar o que nunca existiu e o que jamais foi experimentado. Mas deve ter havido um fato, um tremendo poder que desceu, uma maravilhosa manifestação de poder espiritual; é disso, precisamente, que eu estou falando. Existiu, portanto não tenho medo das críticas dos eruditos. Se eu, como oriental, tenho que adorar Jesus de Nazaré, só me resta um caminho; tenho que adorá-lo como Deus e nada mais. Alguém pode me dizer que não tenho direito de adorá-lo desta maneira? Se não posso fazer com que ele desça ao meu próprio nível, só posso lhe oferecer respeito como a um grande homem, então, por que eu O adoro? 

Nossas Escrituras dizem: 

‘Esses grandes filhos da Luz, que manifestaram a Luz, e eles mesmos sendo Luz, ao serem adorados unem-se a nós e chegamos a ser um com eles’. 

O homem percebe Deus de três maneiras. No princípio temos o homem inculto, cujo intelecto encontra-se ainda pouco desenvolvido, que acredita num Deus que vive em algum céu distante, sentado em um trono como um grande juiz. Acredita que Ele seja como o fogo, e tem medo dele. Esta crença é necessária e não há nada de mal nela. Vocês devem se recordar que a humanidade não vai do erro à verdade, senão da verdade menor à verdade maior. Vamos supor que partindo daqui, viajemos na direção do sol. Daqui o sol parece ser pequeno, mas se nos aproximarmos dele um milhão de quilômetros, o sol parecerá maior, e assim sucessivamente a cada etapa que nos aproximarmos dele. Suponham que se tenha tirado vinte mil fotografias do sol de diferentes pontos; com toda a certeza elas serão diferentes uma das outras, mas não se pode negar que cada uma delas é uma fotografia do mesmo sol. O mesmo ocorre com as diferentes formas de religião, sejam elas elevadas ou não, são simplesmente diferentes etapas na direção do eterno estado de luz, que é Deus. Cada religião representa um ponto de vista mais ou menos elevado, e esta é toda a diferença...” 

(Seleção de uma conferência proferida por Swami Vivekananda, intitulada “Cristo, O Mensageiro”, que foi realizada em Los Angeles – Califórnia, em 1900)
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