domingo, 29 de junho de 2014

Psicologia da Meditação

"A psicologia da meditação é a do cultivo de um único pensamento. Uma mente inquieta é como um lago, constantemente agitado pelos ventos dos desejos, que criam ondas de pensamentos de diversas naturezas. Por causa dessa agitação constante, nosso verdadeiro Ser no fundo do lago não pode ser percebido. Quando, a fim de contrabalançar essas múltiplas ondas de pensamento, um pensamento único é conscientemente cultivado pela prática repetida e ininterrupta da meditação, este desenvolve-se numa única e enorme onda que engole todas as diversas ondulações e torna a mente transparente e calma. A mente concentrada em meditação é aquela que tomou essa forma de uma única onda de pensamento."



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Trecho do artigo "O Significado da Meditação", de Swami Adiswarananda, publicado na Revista Vedanta, out-dez 2013.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Escolher o que é bom ou o que é prazeroso?

"O que é bom e o que é prazeroso são duas coisas diferentes. Servem a diferentes propósitos. Cada um deles é, contudo, uma amarra, uma corrente, apesar de que não no mesmo sentido. Aquele que escolhe o que é bom faz o bem a si mesmo, mas aquele que escolhe o prazeroso perde o propósito da vida."
           
"Qual é o propósito da vida? O propósito da vida é a liberação. Estamos agora presos em um ciclo de nascimento e morte. Nós nascemos repetidas vezes e também morremos repetidas vezes. Por quê? Por causa de nossa ignorância. Nós não conhecemos nossa real identidade, e assim temos constantemente um sentimento de carência. Queremos sempre uma coisa ou outra. Talvez nós já tenhamos o suficiente, mas não estamos satisfeitos; queremos mais. E não importa quanto nós tenhamos, ainda continuamos desejando mais. Nunca estamos felizes. Mas para ter nossos desejos satisfeitos, precisamos ter um corpo e ter um corpo significa nascer. Então novamente, como a noite segue o dia, a morte segue o nascimento. Assim obrigatoriamente nos mantemos passando por nascimento e morte até que realizemos que nosso Ser é tudo e não temos nada que desejar. A liberação acontece quando conhecemos nosso Ser. A meta da vida é este Autoconhecimento. Este é o supremo bem (purusārthah) para os seres humanos. É a isto que Yama (divindade da Morte) se refere como o bem (śreyah).

Existem algumas pessoas que não querem nada além do Autoconhecimento. Eles não estão interessados no que Yama chama depreyah, o prazeroso. Eles são pessoas inteligentes, que pensam com profundidade e que se afastam do que é prazeroso porque sabem que estas coisas existem somente por um curto período. Seu único pensamento é como conseguir o supremo bem. Esta preocupação também é uma amarra, mas que ao final libera o ser. O caminho é difícil, mas eles o preferem para conseguir a verdadeira felicidade que todos querem – a felicidade que é eterna.

O outro grupo de pessoas são aquelas que preferem o prazeroso. Tais pessoas são atraídas facilmente pelos prazeres sensórios. Elas se tornam felizes, mas somente por um período curto. As coisas que eles buscam são efêmeras.

Naciketā (jovem que deseja ser instruído por Yama sobre o Supremo Conhecimento) pertence ao primeiro grupo, mesmo assim Yama o adverte, pois ninguém pode estar seguro de não sucumbir à tentação. ‘Eterna vigilância é o único preço da liberdade. ’"

"O que é bom e o que é prazeroso, ambos estão à disposição do homem. Uma pessoa sábia prefere o que é bom após examinar cuidadosamente os dois e avaliar seus méritos e deméritos. Uma pessoa de visão curta, contudo, prefere o prazeroso, pois está apenas interessada no aumento e na preservação de seus confortos físicos."

"A diferença entre as duas categorias de pessoas mencionadas antes é explicada mais ainda. Uma categoria prefere o crescimento moral e espiritual – śreyas, o bem. É chamado ‘o bem’ porque não há dúvida de que é definitivamente o bem. O caminho do bem não é nada fácil. É cheio de riscos e é muito duro. Mas as pessoas que discriminam preferem este caminho, pois ele é recompensador ao final. É o caminho que leva à perfeição moral, e nada é maior do que isso. Nenhum preço é muito elevado para se pagar pela perfeição moral.

O outro grupo de pessoas está mais contente com o prazer dos sentidos – aquilo que é imediato e mais atrativo para eles. O prazer sensório é imediato; a perfeição moral é remota. Eles não podem esperar pelo remoto, e eles também não estão certos de que o remoto realmente existe e que é o bem. Por isso, eles correm para desfrutar dos prazeres sensórios, que são imediatos e palpáveis.

As duas categorias são claramente distintas. Poucos estão na primeira categoria, mas eles são as pessoas que conduzem a humanidade. Sua influencia é sentida mesmo depois de séculos após suas mortes. Muitos estão no segundo grupo, mas eles são como bolhas no mar. Dificilmente são lembrados após suas mortes."

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Katha Upanishad - I Parte 1, Capítulo 2 - Comentários de Swami Lokeswarananda (1909-1999).  Foi secretário do Ramakrishna Mission's Institute of Cultue e autor de diversos livros espirituais.

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Similarmente temos na Bíblia Cristã - “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma...” 1 Coríntios 6:12