quinta-feira, 20 de março de 2014

Concentração e meditação

"...Enquanto nossa mente estiver agitada, a nossa visão será imperfeita. Estamos constantemente esperando que outra pessoa nos dê conhecimento e felicidade, o que é impossível, pois essas realizações só podem ocorrer em nosso interior. O que precisamos é ser espiritualmente ativos. Podemos continuar com a nossa vida exterior, mas devemos dedicar algum tempo, todos os dias, para tornar a nossa mente introspectiva e desenvolver os poderes mais sutis de percepção. Para que as investigações sejam feitas são necessários determinados instrumentos, como no caso dos cientistas que inventam aparelhos cada vez mais precisos e perfeitos para fazer suas pesquisas. Devemos fazer o mesmo em nossa investigação espiritual; precisamos de uma mente que possa discernir as coisas mais sutis, que são imperceptíveis às nossas faculdades sensoriais comuns.
 
A mente concentrada é o único instrumento capaz de fazer uma investigação mais elevada. É como a luz focalizada. Nós sabemos que quando a luz é dissipada não podemos ver bem, mas quando os seus raios dispersos são unidos, com a ajuda de um refletor, então tudo fica mais visível e evidente. Assim, os poderes ocultos do universo serão revelados para nós quando, através de uma prática determinada e firme, sejam reunidas as forças presentes em nossa mente, que nesse momento encontram-se fragilizadas, desorganizadas e divididas.
 
Todavia, não devemos nos satisfazer com as formas inferiores de concentração, que podem nos proporcionar saúde física, prosperidade e sucesso - a concentração sempre desenvolve poder. E mesmo que tenhamos mais riqueza, honra, ou maior resistência corporal, verificaremos que uma parte de nosso ser ainda continua carente e intranquila, apesar de todas as nossas aquisições mundanas, e não se completará e se tranquilizará enquanto não nos conscientizarmos disso e começarmos a trabalhar para o nosso próprio desenvolvimento mais elevado. Este trabalho não deve ser considerado egoísta porque, se todos nós estamos unidos em essência, como poderíamos despertar nossa própria natureza espiritual sem deixar de beneficiar os outros.
 
A mesma vida está presente em todos os seres e em todos os lugares, e somente aquele que consegue a realização do Ser espiritual, que está escondido em cada coração, poderá resolver o enigma da existência humana para si mesmo e ser capaz de prestar ajuda duradoura para seus semelhantes. Somente ele é que vive feliz e sem medo. Atualmente nos encontramos com medo porque muitas coisas estão ocultas para nós: temos medo do futuro, porque não sabemos o que o futuro nos reserva, tememos a morte, porque não temos certeza do que pode acontecer depois.


 
Por essa razão, devemos aprender a focar e transformar a nossa mente para sermos iluminados pela sua brilhante luz, compreender todas as coisas e ter a visão da Verdade.
O objetivo da meditação é desenvolver esta visão interior. Não devemos parar até que tenhamos visto e compreendido, através de nossa própria percepção, o nosso verdadeiro Eu e nossa relação com o supremo Ser."
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Extraído do livro “Concentração e Meditação” de Swami Paramananda - monge da Ordem Ramakrishna. Cortesia: Jandir Carlos Wellner - membro do Centro Ramakrishna Vedanta de Curitiba

quinta-feira, 6 de março de 2014

Meditação e realização espiritual

"Para alcançar a realização espiritual, deve-se superar a apatia ou inércia, estimulando as atividades físicas e mentais. Em seguida, essas atividades devem ser reguladas e direcionadas até que fiquem focalizadas. O subconsciente deve ser subjugado completamente pelo consciente, e o consciente deve ser expandido para o supraconsciente. Este é o processo natural para se adquirir o poder de concentração e meditação. A meditação é inseparável da concentração. Quando a mente se simplifica, ela adquire sua força total e torna-se naturalmente meditativa.
 
Muitas vezes a mente é comparada a um lago. Se a sua superfície estiver sem nenhuma ondulação, sem nenhuma onda, é possível ver claramente o que se encontra no fundo do lago e em seu interior. Similarmente quando a mente torna-se calma, quando o vento dos desejos descontrolados deixa de criar constantes ondulações sobre a sua superfície, a imagem de nossa verdadeira natureza deixa de se fragmentar, temos a visão e a perfeita compreensão do que somos em realidade, e percebemos qual é nossa relação com a Inteligência Suprema... "
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Extraído do livro “Concentração e Meditação” de Swami Paramananda

segunda-feira, 3 de março de 2014

Sri Ramakrishna – O MESTRE DA HARMONIA DAS RELIGIÕES


Sri Ramakrishna (1836-1886) é adorado por milhares de pessoas como uma Encarnação Divina, ou Avatar. Sua vida foi um testemunho da verdade e da universalidade dos princípios espirituais, assim como da pureza e do amor.
 
Nascido em Kamarpukur, uma aldeia próxima a Calcutá, desde criança demonstrou uma grande inclinação para a vida espiritual. Como um jovem sacerdote de um templo em Dakshineswar (Calcutá), Ramakrishna mergulhou em intensas práticas espirituais e profundas meditações, tomado por um forte anseio por Deus e pela comunhão divina.

Vivia constantemente absorto em Deus. Em seus frequentes êxtases espirituais, alcançava o sublime estado de união com a Infinita Realidade. Para ele, o ensinamento védico da unidade da existência era mais que uma teoria, pois realizou essa verdade pela percepção direta. Sri Ramakrishna trilhou diferentes caminhos religiosos dentro do Hinduísmo. Mais tarde praticou o islamismo e depois meditou profundamente em Jesus Cristo, experimentando a mesma Realidade Divina através destes caminhos não hindus.

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Ramakrishna nasceu em 18 de fevereiro de 1836. Este ano a data auspiciosa é hoje, 3 de março, quando se comemora na Índia e em outros lugares do mundo o seu Aniversário, segundo o calendário lunar.