segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Cristo, O Mensageiro

“Tenho lido as diferentes histórias que se escreveram sobre Cristo; conheço o que os eruditos escreveram, a crítica levantada, e sei que tudo isso foi feito com muito cuidado. Não estou aqui para discutir se os relatos sobre a vida de Cristo é de natureza histórica. Não importa, em absoluto, se o Novo Testamento foi escrito anos após o seu nascimento; tampouco me importa quanto daquela vida é verdade. Mas existe algo nesses ensinamentos que necessitamos imitar.  

É necessário imitar a verdade porque ela é um fato. Não se pode imitar o que nunca existiu e o que jamais foi experimentado. Mas deve ter havido um fato, um tremendo poder que desceu, uma maravilhosa manifestação de poder espiritual; é disso, precisamente, que eu estou falando. Existiu, portanto não tenho medo das críticas dos eruditos. Se eu, como oriental, tenho que adorar Jesus de Nazaré, só me resta um caminho; tenho que adorá-lo como Deus e nada mais. Alguém pode me dizer que não tenho direito de adorá-lo desta maneira? Se não posso fazer com que ele desça ao meu próprio nível, só posso lhe oferecer respeito como a um grande homem, então, por que eu O adoro? 

Nossas Escrituras dizem: 

‘Esses grandes filhos da Luz, que manifestaram a Luz, e eles mesmos sendo Luz, ao serem adorados unem-se a nós e chegamos a ser um com eles’. 

O homem percebe Deus de três maneiras. No princípio temos o homem inculto, cujo intelecto encontra-se ainda pouco desenvolvido, que acredita num Deus que vive em algum céu distante, sentado em um trono como um grande juiz. Acredita que Ele seja como o fogo, e tem medo dele. Esta crença é necessária e não há nada de mal nela. Vocês devem se recordar que a humanidade não vai do erro à verdade, senão da verdade menor à verdade maior. Vamos supor que partindo daqui, viajemos na direção do sol. Daqui o sol parece ser pequeno, mas se nos aproximarmos dele um milhão de quilômetros, o sol parecerá maior, e assim sucessivamente a cada etapa que nos aproximarmos dele. Suponham que se tenha tirado vinte mil fotografias do sol de diferentes pontos; com toda a certeza elas serão diferentes uma das outras, mas não se pode negar que cada uma delas é uma fotografia do mesmo sol. O mesmo ocorre com as diferentes formas de religião, sejam elas elevadas ou não, são simplesmente diferentes etapas na direção do eterno estado de luz, que é Deus. Cada religião representa um ponto de vista mais ou menos elevado, e esta é toda a diferença...” 

(Seleção de uma conferência proferida por Swami Vivekananda, intitulada “Cristo, O Mensageiro”, que foi realizada em Los Angeles – Califórnia, em 1900)
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Leia também: Faminto e sedento do próprio Deus
                       Dois tipos básicos de oração

sábado, 29 de novembro de 2014

Aprofundando-nos em nosso caminho

Do mesmo modo que honramos as diversas religiões do mundo e respeitamos seus adeptos, devemos crescer e nos aprofundar em nosso próprio e particular caminho espiritual – qualquer que seja ele. Não devemos explorar um pouquinho de Budismo, um pouquinho de Islamismo e um pouquinho de Cristianismo e então tentar um novo prato combinado na semana seguinte. A prática espiritual não é um buffet variado. Se lançarmos cinco variedades de sobremesas num processador de alimentos, o máximo que obteremos será uma miscelânea intragável.
Enquanto a Vedanta enfatiza a harmonia das religiões, ela também dá ênfase à necessidade de mergulharmos profundamente na tradição espiritual de nossa escolha, apegando-nos a ela e trabalhando duro. Parafraseando Ramakrishna, se você quer cavar um poço tem de escolher o local e cavar profundamente até alcançar a água. De nada adianta cavar um monte de buracos rasos.
Enquanto uma vida espiritual pouco profunda é provavelmente melhor que nenhuma, ela, contudo, não nos leva para onde queremos ir: para a liberdade, para a realização de Deus. 

Quando escolhemos o caminho espiritual que queremos seguir, devemos segui-lo persistentemente até que alcancemos a meta. 

O importante é que podemos fazê-lo enquanto não apenas valorizamos outras tradições, mas também enquanto aprendemos  com elas.

domingo, 16 de novembro de 2014

Chamado da Sabedoria no Bhagavad Gita


Muitos já vieram a Mim, tendo-se libertado do medo, ódio, ira e paixão. Quem a Mim se dirige com firmeza e em Mim fixa a sua mente, é purificado pela chama sagrada do Amor e da Sabedoria e, livre da atração dos objetos terrenos, torna-se semelhante a Mim, e entra em minha Vida Espiritual.

Eu acolho prazenteiro todos os que me procuram e honram, qualquer que seja o caminho que sigam, porque todos os caminhos, todas as formas religiosas, embora de denominações diferentes, a Mim os conduzem.

Melhor que o sacrifício de objetos e coisas, é o sacrifício oferecido pelo saber. O saber ou conhecimento perfeito em si mesmo é o coroamento de todas as ações.

Ao saber perfeito, ao conhecimento da Verdade chegarás, adorando, servindo e investigando. Os sábios que possuem a sabedoria interior estão prontos a ajudar aqueles que procuram a Verdade.

Quando tiveres adquirido a Sabedoria, serás livre de confusão, dúvidas, má compreensão e erros; pois verás que tudo o que existe no grande Todo, forma uma só vida, e, por conseguinte, é contido em Mim e em ti mesmo.
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Bhagavad Gita, IV-10-11, 33-35 (tradução F.V. Lorenz) 

sábado, 1 de novembro de 2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O trabalho é necessário para a visão de Deus

"Uma vez passava eu por um charco, cuja superfície estava coberta com uma espessa camada de espuma; vi um pobre homem apartando, no lodo a espuma para poder ver a água.

karma yoga

O ato de apartar a espuma é como o trabalho que remove todas as impurezas do coração. Então Deus é visível.


A concentração, a meditação, a repetição do Santo Nome do Senhor, as obras de caridade e o sacrifício de si mesmo, são trabalhos que removerão a espuma da ignorância que encobre as águas da Divindade no charco do coração."
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Sri Ramakrishna
(O Evangelho de Sri Ramakrishna, p. 51, São Paulo: Ed. Pensamento, 1971)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ocupação Saudável

O refrão “uma mente ociosa é o laboratório do diabo” é muito certo. Portanto devemos dar à mente uma ocupação saudável e criadora, alimentá-la com pensamentos elevados e uma aspiração nobre. Caso contrário, dirigir-se-á para objetos inferiores e se dispersará, e nesse estado nunca poderá ser controlada.



Se pudermos penetrar no mais íntimo da instabilidade de nossa mente, descobriremos que a causa é um ou vários pensamentos negativos atuando uns sobre os outros. Portanto, para firmar a mente precisamos proteger nossos pensamentos com perseverança. Buda ensina:

Assim como um arqueiro estende seu arco, o sábio dirige seu pensamento vacilante e inconstante para uma linha reta. Que o sábio proteja seus pensamentos astutos e difíceis de perceber. Os pensamentos bem vigiados dão felicidade.

Uma correta introspecção revelará que a inadvertência se encontra na raiz da agitação da mente. Tal inadvertência ou descuido nos chega naturalmente, porque não nos treinamos no cultivo da mente para ocupações internas mais elevadas.

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Cultivar constantemente a atenção para o supremo objetivo da vida, o Espírito Supremo, é um método poderoso para a firmeza da mente, que oportuniza um benefício muito maior que outras práticas.

Que a mente se ocupe de coisas saudáveis, não significa que deva ser monótona. Se assim fosse, a tarefa seria penosa e insalubre. Temos uma variedade para escolher, renovar e assegurar a ocupação saudável da mente. Sri Krishna ensina:

A caridade, o cumprimento dos deveres, a observação dos votos, ouvir as  escrituras, atos meritórios e outras ações, tudo isto culmina no controle da mente, que é suprema yoga. (Srimad Bhagavatam, XI, 23.46)
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Do livro A Mente e Seu Controle, de Swami Budhananda - publicado na Revista Vedanta

sábado, 6 de setembro de 2014

Toda Religião tem uma dádiva

"Toda religião tem uma dádiva específica a oferecer à humanidade; toda religião traz consigo um ponto de vista único, que enriquece o mundo. O cristianismo enfatiza o amor e o sacrifício; o judaísmo, o valor da sabedoria espiritual e da tradição. O islamismo enfatiza a fraternidade universal e a igualdade, enquanto que o budismo advoga a compaixão e a atenção plena. A tradição nativa americana ensina a reverência pela Terra e ao mundo natural que nos rodeia. A Vedanta, ou tradição hindu, enfatiza a unidade da existência e a necessidade da experiência mística direta.

As tradições espirituais do mundo são como diferentes peças de um gigantesco quebra-cabeças: cada peça é diferente e cada peça é essencial para completar todo o quadro. Cada peça deve ser honrada e respeitada, enquanto nos mantemos firmes com nossa peça particular do quebra-cabeças. Podemos aprofundar nossa própria espiritualidade e aprender sobre nossa própria tradição, estudando outras crenças. E de forma igualmente importante: estudar bem nossa própria tradição nos tornará mais capazes  de apreciar a verdade das outras tradições."
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Fonte: A Harmonia das Religiões - Leia o artigo completo

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Reflexões sobre Karma Yoga - Bhagavad Gita



1 – Disse Arjuna:

Ó Krishna, tu elogias a renúncia da ação e também o cumprimento da ação. Por favor, diga-me definitivamente o que é melhor para mim. 



2 – Disse o BENDITO SENHOR:
A renúncia e a ação abnegada, ambas conduzem à liberação, mas entre elas, o karma yoga ou ação abnegada, é superior à renúncia da ação.
3 – Ó tu de poderosos braços, aquele que não sente gosto nem desgosto, deve ser considerado como um homem de constante renúncia, porque estando livre dos pares de opostos, se libera muito facilmente.
4 – As pessoas de mentalidade infantil e não o sábio, dizem que o conhecimento é diferente da ação abnegada. Praticando qualquer deles se logra o fruto de ambos.
5 – O estado que alcança o gñani é alcançado também pelo karmayogui. Aquele que vê a identidade entre o conhecimento e a ação abnegada, vê corretamente. 
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Bhagavad-Gita - Cap. V 
Sugestão - Veja também o cap. III e IX

domingo, 29 de junho de 2014

Psicologia da Meditação

"A psicologia da meditação é a do cultivo de um único pensamento. Uma mente inquieta é como um lago, constantemente agitado pelos ventos dos desejos, que criam ondas de pensamentos de diversas naturezas. Por causa dessa agitação constante, nosso verdadeiro Ser no fundo do lago não pode ser percebido. Quando, a fim de contrabalançar essas múltiplas ondas de pensamento, um pensamento único é conscientemente cultivado pela prática repetida e ininterrupta da meditação, este desenvolve-se numa única e enorme onda que engole todas as diversas ondulações e torna a mente transparente e calma. A mente concentrada em meditação é aquela que tomou essa forma de uma única onda de pensamento."



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Trecho do artigo "O Significado da Meditação", de Swami Adiswarananda, publicado na Revista Vedanta, out-dez 2013.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Escolher o que é bom ou o que é prazeroso?

"O que é bom e o que é prazeroso são duas coisas diferentes. Servem a diferentes propósitos. Cada um deles é, contudo, uma amarra, uma corrente, apesar de que não no mesmo sentido. Aquele que escolhe o que é bom faz o bem a si mesmo, mas aquele que escolhe o prazeroso perde o propósito da vida."
           
"Qual é o propósito da vida? O propósito da vida é a liberação. Estamos agora presos em um ciclo de nascimento e morte. Nós nascemos repetidas vezes e também morremos repetidas vezes. Por quê? Por causa de nossa ignorância. Nós não conhecemos nossa real identidade, e assim temos constantemente um sentimento de carência. Queremos sempre uma coisa ou outra. Talvez nós já tenhamos o suficiente, mas não estamos satisfeitos; queremos mais. E não importa quanto nós tenhamos, ainda continuamos desejando mais. Nunca estamos felizes. Mas para ter nossos desejos satisfeitos, precisamos ter um corpo e ter um corpo significa nascer. Então novamente, como a noite segue o dia, a morte segue o nascimento. Assim obrigatoriamente nos mantemos passando por nascimento e morte até que realizemos que nosso Ser é tudo e não temos nada que desejar. A liberação acontece quando conhecemos nosso Ser. A meta da vida é este Autoconhecimento. Este é o supremo bem (purusārthah) para os seres humanos. É a isto que Yama (divindade da Morte) se refere como o bem (śreyah).

Existem algumas pessoas que não querem nada além do Autoconhecimento. Eles não estão interessados no que Yama chama depreyah, o prazeroso. Eles são pessoas inteligentes, que pensam com profundidade e que se afastam do que é prazeroso porque sabem que estas coisas existem somente por um curto período. Seu único pensamento é como conseguir o supremo bem. Esta preocupação também é uma amarra, mas que ao final libera o ser. O caminho é difícil, mas eles o preferem para conseguir a verdadeira felicidade que todos querem – a felicidade que é eterna.

O outro grupo de pessoas são aquelas que preferem o prazeroso. Tais pessoas são atraídas facilmente pelos prazeres sensórios. Elas se tornam felizes, mas somente por um período curto. As coisas que eles buscam são efêmeras.

Naciketā (jovem que deseja ser instruído por Yama sobre o Supremo Conhecimento) pertence ao primeiro grupo, mesmo assim Yama o adverte, pois ninguém pode estar seguro de não sucumbir à tentação. ‘Eterna vigilância é o único preço da liberdade. ’"

"O que é bom e o que é prazeroso, ambos estão à disposição do homem. Uma pessoa sábia prefere o que é bom após examinar cuidadosamente os dois e avaliar seus méritos e deméritos. Uma pessoa de visão curta, contudo, prefere o prazeroso, pois está apenas interessada no aumento e na preservação de seus confortos físicos."

"A diferença entre as duas categorias de pessoas mencionadas antes é explicada mais ainda. Uma categoria prefere o crescimento moral e espiritual – śreyas, o bem. É chamado ‘o bem’ porque não há dúvida de que é definitivamente o bem. O caminho do bem não é nada fácil. É cheio de riscos e é muito duro. Mas as pessoas que discriminam preferem este caminho, pois ele é recompensador ao final. É o caminho que leva à perfeição moral, e nada é maior do que isso. Nenhum preço é muito elevado para se pagar pela perfeição moral.

O outro grupo de pessoas está mais contente com o prazer dos sentidos – aquilo que é imediato e mais atrativo para eles. O prazer sensório é imediato; a perfeição moral é remota. Eles não podem esperar pelo remoto, e eles também não estão certos de que o remoto realmente existe e que é o bem. Por isso, eles correm para desfrutar dos prazeres sensórios, que são imediatos e palpáveis.

As duas categorias são claramente distintas. Poucos estão na primeira categoria, mas eles são as pessoas que conduzem a humanidade. Sua influencia é sentida mesmo depois de séculos após suas mortes. Muitos estão no segundo grupo, mas eles são como bolhas no mar. Dificilmente são lembrados após suas mortes."

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Katha Upanishad - I Parte 1, Capítulo 2 - Comentários de Swami Lokeswarananda (1909-1999).  Foi secretário do Ramakrishna Mission's Institute of Cultue e autor de diversos livros espirituais.

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Similarmente temos na Bíblia Cristã - “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma...” 1 Coríntios 6:12

terça-feira, 13 de maio de 2014

Princípios e propósitos da Vedanta


“Da mesma forma que diferentes córregos, tendo suas fontes em diferentes lugares, todos juntam suas águas no grande mar, de forma similar os diferentes caminhos que os homens seguem por diferentes tendências, por mais divergentes que possam parecer, retos ou cheios de curvas, todos levam a Ti, ó Senhor.”


Da forma mais crua de adoração simbólica a mais sublime concepção de verdade abstrata, todas as fases da religião têm um lugar na religião da Vedanta. Ela capacita um dualista a encontrar seu supremo ideal de auto entrega aos pés do Senhor; e também a um monista realizar seu verdadeiro Ser interno como o Ser de tudo, sem depender de nenhuma forma externa de Deus.

Um Ser Infinito deve ser com forma e sem forma. Os sábios O definem como Desconhecido e Não Conhecível, porque é impossível para a mente finita compreender o Infinito completamente. Por isso o ensinamento da Vedanta nunca rotula o caminho de Deus por um nome ou seita, mas reconhece a necessidade de inumeráveis formas de adoração apropriadas aos vários graus de desenvolvimento entre os seres humanos. Ela não interfere com qualquer modo natural de pensamento do homem, mas acelera seu crescimento dando a ele ajuda e simpatia onde quer que ele se encontre. Ela aceita todas as Escrituras Sagradas do mundo e reverencia todos os Salvadores e profetas. Acredita que o mesmo Evangelho da Verdade é pregado por todos, a única diferença é a da linguagem e não do significado essencial. Por isso, não existe lugar na Vedanta para o proselitismo.

A Vedanta ensina a cada um como atingir o mais elevado em sua própria religião, mas diz a ele que deve permitir o mesmo privilégio ao seu irmão, que pode estar seguindo algum outro aparentemente diferente caminho. Na religião da Vedanta todos somos filhos de Deus e temos direitos iguais sobre Ele. Assim não há lugar para discórdias; mas vendo o único Divino Poder detrás de todas as formas de adoração, ela proclama a tolerância e assimilação universal, e a toda humanidade dá esta bênção:

“Que Ele que é o Pai nos Céus dos Cristãos, Allah dos Maometanos, Buddha dos Buddhistas, Ahura Mazda dos Zoroastrianos e a Divina Mãe e Brahman dos Hindus, dê a todos paz e bênçãos . Paz! Paz! Paz para nós e para todos os seres vivos!”
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Swami Paramananda, "Princípios e Propósito da Vedanta"

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Efeitos da meditação

Pensem e meditem dia e noite em Brahman (Supremo Ser); meditem com a mente dirigida em uma única direção. Em sua vida diária de vigília, realizem algum trabalho em benefício dos outros, ou mentalmente repitam: ‘Que o bem ajude os jivas (seres individuais) e o mundo’‘Que a mente de todos dirija-se na direção de Brahman’.
 
É por meio dessa corrente de pensamento, que o mundo será beneficiado. Todo bem que existe no mundo dará seus frutos, seja através da ação ou do pensamento. Essas correntes de pensamentos talvez despertem os sentimentos espirituais de uma pessoa no outro lado do mundo.”

Swami Vivekananda
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Trecho do livro: “Meditação de Acordo com a Yoga e Vedanta.” – (CW. VII, 237)
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 Inspiração: Amor e Altruísmo

quinta-feira, 20 de março de 2014

Concentração e meditação

"...Enquanto nossa mente estiver agitada, a nossa visão será imperfeita. Estamos constantemente esperando que outra pessoa nos dê conhecimento e felicidade, o que é impossível, pois essas realizações só podem ocorrer em nosso interior. O que precisamos é ser espiritualmente ativos. Podemos continuar com a nossa vida exterior, mas devemos dedicar algum tempo, todos os dias, para tornar a nossa mente introspectiva e desenvolver os poderes mais sutis de percepção. Para que as investigações sejam feitas são necessários determinados instrumentos, como no caso dos cientistas que inventam aparelhos cada vez mais precisos e perfeitos para fazer suas pesquisas. Devemos fazer o mesmo em nossa investigação espiritual; precisamos de uma mente que possa discernir as coisas mais sutis, que são imperceptíveis às nossas faculdades sensoriais comuns.
 
A mente concentrada é o único instrumento capaz de fazer uma investigação mais elevada. É como a luz focalizada. Nós sabemos que quando a luz é dissipada não podemos ver bem, mas quando os seus raios dispersos são unidos, com a ajuda de um refletor, então tudo fica mais visível e evidente. Assim, os poderes ocultos do universo serão revelados para nós quando, através de uma prática determinada e firme, sejam reunidas as forças presentes em nossa mente, que nesse momento encontram-se fragilizadas, desorganizadas e divididas.
 
Todavia, não devemos nos satisfazer com as formas inferiores de concentração, que podem nos proporcionar saúde física, prosperidade e sucesso - a concentração sempre desenvolve poder. E mesmo que tenhamos mais riqueza, honra, ou maior resistência corporal, verificaremos que uma parte de nosso ser ainda continua carente e intranquila, apesar de todas as nossas aquisições mundanas, e não se completará e se tranquilizará enquanto não nos conscientizarmos disso e começarmos a trabalhar para o nosso próprio desenvolvimento mais elevado. Este trabalho não deve ser considerado egoísta porque, se todos nós estamos unidos em essência, como poderíamos despertar nossa própria natureza espiritual sem deixar de beneficiar os outros.
 
A mesma vida está presente em todos os seres e em todos os lugares, e somente aquele que consegue a realização do Ser espiritual, que está escondido em cada coração, poderá resolver o enigma da existência humana para si mesmo e ser capaz de prestar ajuda duradoura para seus semelhantes. Somente ele é que vive feliz e sem medo. Atualmente nos encontramos com medo porque muitas coisas estão ocultas para nós: temos medo do futuro, porque não sabemos o que o futuro nos reserva, tememos a morte, porque não temos certeza do que pode acontecer depois.


 
Por essa razão, devemos aprender a focar e transformar a nossa mente para sermos iluminados pela sua brilhante luz, compreender todas as coisas e ter a visão da Verdade.
O objetivo da meditação é desenvolver esta visão interior. Não devemos parar até que tenhamos visto e compreendido, através de nossa própria percepção, o nosso verdadeiro Eu e nossa relação com o supremo Ser."
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Extraído do livro “Concentração e Meditação” de Swami Paramananda - monge da Ordem Ramakrishna. Cortesia: Jandir Carlos Wellner - membro do Centro Ramakrishna Vedanta de Curitiba

quinta-feira, 6 de março de 2014

Meditação e realização espiritual

"Para alcançar a realização espiritual, deve-se superar a apatia ou inércia, estimulando as atividades físicas e mentais. Em seguida, essas atividades devem ser reguladas e direcionadas até que fiquem focalizadas. O subconsciente deve ser subjugado completamente pelo consciente, e o consciente deve ser expandido para o supraconsciente. Este é o processo natural para se adquirir o poder de concentração e meditação. A meditação é inseparável da concentração. Quando a mente se simplifica, ela adquire sua força total e torna-se naturalmente meditativa.
 
Muitas vezes a mente é comparada a um lago. Se a sua superfície estiver sem nenhuma ondulação, sem nenhuma onda, é possível ver claramente o que se encontra no fundo do lago e em seu interior. Similarmente quando a mente torna-se calma, quando o vento dos desejos descontrolados deixa de criar constantes ondulações sobre a sua superfície, a imagem de nossa verdadeira natureza deixa de se fragmentar, temos a visão e a perfeita compreensão do que somos em realidade, e percebemos qual é nossa relação com a Inteligência Suprema... "
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Extraído do livro “Concentração e Meditação” de Swami Paramananda

segunda-feira, 3 de março de 2014

Sri Ramakrishna – O MESTRE DA HARMONIA DAS RELIGIÕES


Sri Ramakrishna (1836-1886) é adorado por milhares de pessoas como uma Encarnação Divina, ou Avatar. Sua vida foi um testemunho da verdade e da universalidade dos princípios espirituais, assim como da pureza e do amor.
 
Nascido em Kamarpukur, uma aldeia próxima a Calcutá, desde criança demonstrou uma grande inclinação para a vida espiritual. Como um jovem sacerdote de um templo em Dakshineswar (Calcutá), Ramakrishna mergulhou em intensas práticas espirituais e profundas meditações, tomado por um forte anseio por Deus e pela comunhão divina.

Vivia constantemente absorto em Deus. Em seus frequentes êxtases espirituais, alcançava o sublime estado de união com a Infinita Realidade. Para ele, o ensinamento védico da unidade da existência era mais que uma teoria, pois realizou essa verdade pela percepção direta. Sri Ramakrishna trilhou diferentes caminhos religiosos dentro do Hinduísmo. Mais tarde praticou o islamismo e depois meditou profundamente em Jesus Cristo, experimentando a mesma Realidade Divina através destes caminhos não hindus.

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Ramakrishna nasceu em 18 de fevereiro de 1836. Este ano a data auspiciosa é hoje, 3 de março, quando se comemora na Índia e em outros lugares do mundo o seu Aniversário, segundo o calendário lunar. 
 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Estudo do Bhagavad-Gita


"O Bhagavad-Gita não é um tratado de teologia, nem um livro de orações devocionais e nem um texto de um sistema filosófico. Este sagrado texto, de forma sintética, ilumina a consciência humana, aclara os complexos problemas sobre dever, propósito da vida, diferença entre o amor e o apego, ciência do yoga, prática da devoção e do difícil caminho do discernimento pelo qual o homem de renúncia logra o conhecimento direto do UM sem segundo, a Existência-Conhecimento-Bem-aventurança Absoluta. Lendo este livro, aquele que realmente tenha inquietude espiritual, descobre com assombro e certa alegria que muitas, senão todas, as perguntas de Arjuna, são ou poderiam ser as suas e que certas respostas de Sri Krishna retiram todas as suas dúvidas, lhe dão ânimo e convicção, preparam-lhe para seguir firmemente o caminho espiritual e fazem eco ao dito final de Arjuna: “Sinto-me firme, minhas dúvidas desapareceram. Cumprirei Tua ordem.”

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Trecho do prefácio ao Srimad Bhagavad-Gita
por Swami Vijoyananda (1898 - 1973),
monge da Ordem Ramakrishna, discípulo de Swami Brahmananda, filho espiritual de Sri Ramakrishna.
Swami Vijoyananda foi o pioneiro da Vedanta na América do Sul.

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Estudos  regulares seguido de meditação
às quartas-feiras das 19h30 às 21h
no Centro Ramakrishna Vedanta Brasília

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Glória a Swami Brahmananda pelo seu aniversário

“...Eu já ouvira dizer que Swami Brahmananda era o filho espiritual de Sri Ramakrishna e que Swami Vivekananda opinava que suas realizações espirituais eram muito profundas, incomensuráveis, e que ele vivia permanentemente em “Ananda Samadhi”, ou seja, em estado de Bem-Aventurança ininterrupta.

Vi com que carinho e respeito o tratavam os grandes Swamis (monges da Ordem Ramakrishna) como Shivananda, Saradananda e outros; mas naquele tempo eu não sabia o que eram realizações espirituais, não o apreciava nem o julgava por suas qualidades divinas; só sentia que meu carinho por ele aumentava a cada instante e também sentia que o Swami me queria. Não encontrava a razão desse sentir extraordinário nem me preocupava buscá-la. Notava algo inexplicável: todos os que viviam no mosteiro sentiam um gozo pouco comum.

Enquanto Swami Brahmananda residia em Belur-Math (sede da Ordem Ramakrishna – Calcutá, Índia), todas as manhãs, bem cedinho, por volta das 4:30 horas, muitos Swamis e brahmacharis (noviços) iam rezar e meditar em seu quarto e, por falta de lugar dentro, alguns sentavam-se do lado de fora, na varanda. Essa reunião, em silêncio, durava cerca de três horas. Logo, por três quartos de hora, se faziam ouvir os cantos devocionais. Como eu era novo, não me atrevia a entrar no quarto e me sentava em um lugar perto do umbral. Não sabia meditar; minha mente curiosa não queria estar tranquila; entretanto, recordo muito bem que às vezes, independentemente de minha vontade, minha mente sentia uma tranquilidade como jamais havia experimentado antes; e com a mente tranquila, infalivelmente, me sentia feliz...” – Swami Prabhavananda – (Texto extraído do livro “O Eterno Companheiro”.)



Glória a Swami Brahmanandaji Maharaj neste dia, 1º de fevereiro de 2014, em que se comemora o seu aniversário de nascimento, segundo o calendário hindu.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano Novo e dia de Ramakrishna Kalpataru

O dia primeiro de janeiro, além de ser o dia de “Ano Novo”, tem um significado especial para os devotos de Sri Ramakrishna. Nesse dia é que o Mestre revelou-se ao mundo e manifestou toda a sua grandeza espiritual. A partir dessa data ele passou a ser chamado popularmente de Kalpataru (a árvore que satisfaz todos os desejos).

O fato que deu origem a essa crença ocorreu no ano de 1886, em Kasipur - Índia, onde o Mestre estava morando para tratamento médico do câncer que tinha em sua garganta. No dia primeiro de janeiro desse ano ele sentia-se particularmente bem e saiu do seu quarto para passear nos espaçosos gramados da casa-jardim. Aproximadamente trinta devotos estavam presentes no local e quando viram o Mestre, aproximaram-se dele e se prosternaram aos seus pés.

O Mestre perguntou ao seu discípulo Girish: "O que foi que você viu em mim para me glorificar publicamente, e diante de todos?". Girish prosternando-se aos pés do Mestre, disse-lhe com as mãos juntas e a voz embargada: "O que mais posso dizer Daquele, que até mesmo Vyasa e Valmiki falharam em exprimir uma fraçăo da Sua glória, em seus épicos imortais e Puranas".

Ao escutar as palavras de Girish, Sri Ramakrishna ficou profundamente emocionado e sua mente projetou-se a um plano muito elevado. Ao ver o rosto do Mestre, divinamente iluminado, Girish ficou muito emocionado e começou a gritar com grande alegria: "Glória a Ramakrishna", prosternando-se repetidas vezes aos seus pés. Sri Ramakrishna, com um sorriso no rosto, olhou para todos os presentes e falou: "O que mais direi a vocês. Que todos sejam espiritualmente despertados”. Após ter dito essas poucas palavras entrou em samadhi (êxtase espiritual).

O que se seguiu é descrito nas palavras de Swami Saradananda, que havia visto todo o episódio a certa distância. O seu relato é o seguinte: "Quando os devotos escutaram aquelas palavras de benção e proteção deram repetidos gritos de alegria, exclamando: 'Glória a Ramakrishna'. Alguns deles começaram a rir, outros a chorar, alguns a meditar, e outros ainda começaram a chamar aqueles que não estavam presentes, em altas vozes, para que também viessem para serem abençoados, receber a graça do Mestre, e participar da beatitude que estava sendo partilhada por Sri Ramakrishna em abundância". 

Mais tarde, ao se pesquisar sobre o acontecimento, soube-se que os devotos que foram abençoados pelo Mestre naquele dia tiveram maravilhosas experiências e visões espirituais. Alguns deles sentiram-se bem-aventurados com uma espécie de ascensão divina, outros sentiram-se abençoados com o despertar de kundalini (energia vital), outros ainda tiveram visões extáticas de seus ideais espirituais e alguns viram Luz divina. Todas as experiências foram singulares e particulares, e embora tivessem sido diferentes em seu conteúdo, o sentimento de terem participado da extraordinária beatitude divina foi comum a todos eles. Como o Mestre havia concedido sua graça para cada um e para todos, alguns sentiram que ele havia revelado a si mesmo nesse dia como a árvore Kalpataru. Desse modo o dia primeiro de janeiro passou a ser conhecido como o "Dia de Kalpataru".

A residência de Kasipur, que atualmente é um Centro de Vedanta da Ordem Ramakrishna, tornou-se naturalmente um lugar de peregrinação. Sri Ramakrishna viveu ali por aproximadamente oito meses e seus devotos têm vindo de todas as partes do mundo para visitar os recintos sagrados da casa, para sentir a presença viva do Mestre e para participar do legado espiritual que ele ali deixara. O clímax é alcançado todo ano no dia de Kalpataru, quando milhares de pessoas se dirigem a Kasipur com a esperança de que a graça concedida pelo Mestre em 1º de janeiro de 1886 venha a se repetir novamente nesse dia. 

Năo se pode deixar de imaginar de que existe algum vínculo entre o dia de Ano Novo e o dia em que o Mestre revelou a sua natureza divina. O dia de Ano Novo é um dia de alegria, esperança e de muitas expectativas. Todo ser humano espera ter um novo ano feliz, próspero e pacífico. Em muitos países é feita uma efígie de um velho com a inscrição do ano que se finda. A meia-noite, entre gritos de júbilo, canções e danças, o "velho" é deixado para trás. "Para fora o velho; salve o novo" é o grito que se houve durante o dia de Ano Novo. Mas com o passar do tempo tudo é esquecido e estamos prontos novamente para comemorar o Ano Novo. 

Será que não podemos ter um Ano Novo que permaneça sempre "novo"? Sim, é possível, mas năo fisicamente. Um Ano Novo que não seja limitado é concebível apenas em dimensőes que transcendem o tempo. Portanto, do ponto de vista espiritual, um Ano Novo que signifique uma nova vida, um novo nascimento espiritual, torna-se muito mais significativo porque deixa de ser um fenômeno temporário. Todos os nossos esforços espirituais inicialmente têm em vista apressar a chegada desse Ano Novo. Mas, para poder participar da celebraçăo desse Novo Ano, o ano velho com os seus antigos costumes e desejos tem que ser queimado pelo fogo do discernimento, desapego, oraçăo e devoçăo a Deus. Quando a mente estiver suficientemente pura, esse "Novo Ano" ocorre e, então, Ramakrishna Kalpataru se manifesta ao aspirante e lhe concede a graça divina. Abençoado e fortalecido com essa graça, o aspirante consegue superar os obstáculos sutis que ocorrem nos níveis mais elevados de sua vida espiritual. Dessa forma ele năo tem mais dificuldade para purificar sua mente dos desejos sutis e dos impulsos que ainda ali permanecem. Para o aspirante, assim abençoado, cada momento da sua vida se converte em um "Dia de Ano Novo", que o aproxima cada vez mais da perfeição e plenitude espiritual..

Este é o significado da celebraçăo do dia de Kalpataru no dia primeiro de janeiro feita pelos devotos de Sri Ramakrishna e seus simpatizantes, lembrando do acontecimento inesquecível que ocorreu em Kasipur e do poder redentor do Senhor. É também um conselho gentil a todo aspirante espiritual, para que vá além do aspecto físico do episódio e concentre-se em seu significado espiritual. A concessăo da "graça de Kalpataru" năo está limitada aos poucos devotos que haviam se reunido em Kasipur no dia primeiro de janeiro de 1886, mas poderá acontecer nos dias de hoje com qualquer pessoa, da mesma forma que aconteceu naquele dia maravilhoso. Um sentimento especial envolve os devotos de Sri Ramakrishna nesse dia em que eles esperam que se repita com eles esse acontecimento inspirador. 

(Texto extraído da Revista Vedanta Kesari – Editorial de janeiro de 1887)