quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Faminto e sedento do próprio Deus

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados.

"Qual é a justiça da qual o Cristo nos quer sedentos e famintos? Trata-se da justiça que em inúmeras passagens do Antigo Testamento é praticamente sinônimo de salvação — noutras palavras, libertação do mal e união com Deus. Esta justiça, portanto, nada tem a ver com o que comumente pensamos como virtudes morais ou boas qualidades, não se relaciona com o bem em oposição ao mal, nem com a virtude em oposição ao vício; trata-se da justiça absoluta, da bondade absoluta. O faminto e sedento de justiça de que fala o Cristo é o faminto e sedento do próprio Deus.
 
Já se salientou que a maioria de nós não quer de fato Deus. Se nos analisarmos, descobriremos que nossos interesses relativos a Deus quase nada têm da força do nosso interesse por todo tipo de objetos materiais. Mas até mesmo um ligeiro desejo de conhecer a realidade divina é  um começo que nos pode levar mais acima.
 
Precisamos começar com um esforço próprio. Precisamos batalhar para desenvolver o amor ao Senhor, praticando a relembrança dele, rezando, adorando e meditando. À medida que praticarmos essas disciplinas espirituais, o nosso frágil desejo de compreendê-lo há de intensificar-se, até  se converter em fome violenta, em sede ardente.
 
Àqueles que lhe perguntavam como compreender Deus, Sri Ramakrishna dizia:
''Gritem-lhe com um coração anelante, e então vocês o verão. Após a luz rósea da aurora, surge o Sol; do mesmo modo, ao anelo segue-se a visão de Deus. Ele se revelará a vocês se vocês o amarem com a força combinada destes três apegos: o apego do avaro à sua riqueza, o da mãe à criança recém-nascida e o da esposa virtuosa a seu marido. “O anelo intenso é o caminho mais seguro para a visão de Deus.”
 
Precisamos aprender a direcionar todos os nossos pensamentos e toda a nossa energia, de forma consciente, para Deus. É preciso que se erga em nossa mente uma onda gigantesca de pensamento, envolvendo todos os desejos e paixões que nos desviam da meta espiritual. Quando a mente se torna focalizada e concentrada em Deus, então seremos locupletados de justiça.
 
 
Conta-se a história de um discípulo que perguntou ao mestre:
 
— Senhor como pode ter a percepção de Deus?
— Venha — disse o mestre —, vou lhe mostrar.

O mestre levou o discípulo a um lago e ambos mergulharam. De repente, o mestre chega ao discípulo a afunda-lhe a cabeça na água. Momentos depois, o solta e pergunta-lhe:
— Então, como se sentiu?
— Oh, eu quase morri de falta de ar — disse ofegante o discípulo.

Então o mestre retrucou:
— Quando você tiver essa mesma sensação intensa por Deus, não precisará mais esperar muito pela visão dele."
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 In Sermão da Montanha segundo o Vedanta. Swami Prabhavananda. São Paulo: Pensamento, 1986. p. 26 e 27. 

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