quarta-feira, 4 de julho de 2012

Inspiração da Semana: Mahasamadhi de Swami Vivekananda

"O efeito principal de nossa ação em benefício alheio é o de purificar-nos a nós mesmos. Esforçando-nos constantemente em fazer o bem aos demais, conseguimos esquecer-nos de nós mesmos; este esquecimento do eu é a grande lição que nos falta aprender. O homem pensa equivocadamente que pode achar a felicidade, porém, depois de muitos anos de luta, descobre que a verdadeira felicidade consiste em tornar-se inegoísta e que ninguém, exceto ele, pode fazê-lo feliz.

Cada ato de caridade, cada pensamento de simpatia, cada ação boa reduz a importância que damos ao nosso ego... Aqui vemos que JNANA, BHAKTI e KARMA convergem para o mesmo ponto. O ideal mais elevado é a eterna e total abnegação: esquecer o “eu” e pensar unicamente no “tu”. A ética deve fundamentar-se na mais elevada abnegação, que é a base de toda a moral."
Swami Vivekananda - Livro: Karma Yoga - A educação da vontade
Mahasamadhi - 4 de julho de 1902

Vídeo inspirador com citações de Vivekananda, assista:

Um comentário:

  1. Vedanta - Freud

    Adentro me lancei no Oceano da Libertação...
    Krishnamurti.
    (A Busca)

    Freud, em seus estudos,debruçou-se, também, sobre uma questão crucial para o ser humano - a religião. O pai da psicanálise empenhava-se para que sua teoria fosse aceita como científica, o que hoje é abertamente negado, pois a psicanálise não resiste aos critérios que definem a ciência.

    Nos seus estudos, Freud dá início ao texto "O Mal-Estar na Civilização" (Obras Completas, editora Imago) abordando o "sentimento oceânico", em razão da correspondência que mantinha com o escritor Romain Rolland, que ele chama de "um desses seres excepcionais". O pai da psicanálise reconhece que o fato de não ter a experiência pessoal desse sentimento não lhe dá o direito de negar que ele de fato ocorra em outras pessoas, e passa a examiná-lo. Diz ele, ao longo do exame: "Nosso presente sentimento de ego não passa, portanto, de apenas um mirrado resíduo do sentimento muito mais inclusivo - na verdade, totalmente abrangente -, que corresponde a um vínculo mais íntimo entre o ego e o mundo que o cerca. Supondo que há nuitas pessoas em cuja vida mental esse sentimento primário do ego persistiu em maior ou menor grau, ele existiria nelas ao lado do sentimento do ego mais estrito e mais nitidamente demarcado da maturidade, como uma espécie de correspondente seu. Nesse caso, o conteúdo ideacional a ele apropriado seria exatamente o da ilimitabilidade e de um vínculo com o universo - as mesmas idéias com que meu amigo elucidou o sentimento "oceânico". Contudo, teria eu o direito de presumir a sobrevivência de algo que já se encontrava originalmente lá, lado a lado com o que posteriormente dele derivou? Sem dúvida, sim"
    Prossegue ele dizendo, mais adiante: "Permitam-me adimitir uma vez mais que para mim é muito difícil trabalhar com essa quantidades quase intangíveis." Afirma também que a religião do homem comum é a única que deveria levar o nome de "religião", e que foi nesse tipo de religião que estava mais interessado quando escreveu "O Futuro de Uma Ilusão", "naquilo que o homem comum entende como sua religião - o sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável, e que, por outro, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustações que tenha experimentado aqui".
    Romain Rolland havia escrito "A Vida de Ramakrishna" e "A Vida de Vivekananda". Provavelmente, Freud leu "A Vida de Ramakrishna", assim como o seu amigo leu "O Futuro de Uma Ilusão", o que deu início à troca de idéias entre eles. Em um trecho posterior de "O Mal-Estar na Civilização", depois de citar um outro amigo que lhe assegurou ser possível, por meio de certas práticas, regredir a estados primordiais da mente, que esse amigo via como a base de grande parte da sabedoria do misticismo, Freud afirmou que não seria difícil descobrir ali "vinculações com um certo número de obscuras modificações da vida mental, tais como os transes e os êxtases". Na vida de Ramakrishna, os êxtases estavam relacionados à iluminação.
    Freud finaliza essa parte do seu texto dizendo: "Contudo, sou levado a exclamar, como nas palavras do mergulhador de Schiller: 'Regozije-se aquele que aqui em cima respira, na rósea luz'."
    No campo que não é a religião do homem comum, o místico é aquele que resolve mergulhar nos abismos de sua natureza, enfrentando a morte do ser finito, do pseudo "eu", para que haja a ressurreição do glorioso si mesmo, como diz Ramana Maharshi.

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