segunda-feira, 25 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Trabalho e meditação
"Maharaj*: - Estás obtendo progresso em tuas práticas?
Discípulo: - Maharaj, não disponho de tempo suficiente para elas. Tenho muito trabalho.
Maharaj: - É um erro pensar que a meditação não pode ser praticada por falta de tempo. A causa real é a inquietude da mente.
Entrega-te a Ele por completo, sê Seu servidor e dize-lhe: - "Dou-te meu corpo, minha alma e tudo que tenho. Faze deles o que Tu quiseres; eu estou pronto para servir-Te com todas as minhas forças." Se puderes fazer isso, a responsabilidade eu bem-estar espiritual ficará com Ele. Não necessitarás preocupar-te mais; mas tens que entregar-te com toda a alma. Não o faças com dúvida em teu coração, "tomando o Nome do Senhor para cruzar o rio e ao mesmo tempo, levantando as roupas para que não se molhem." *
Discípulo: - Maharaj, não disponho de tempo suficiente para elas. Tenho muito trabalho.
Maharaj: - É um erro pensar que a meditação não pode ser praticada por falta de tempo. A causa real é a inquietude da mente.
O trabalho e a meditação devem marchar lado a lado. É muito bom se alguém pode dedicar-se por completo às práticas espirituais. Mas, quantos são os que podem fazer isso? Dois são os tipos de homens que podem sentar-se quietos sem trabalhar. Um é o idiota que é inerte em demasia para ser ativo. O outro é o santo que foi além de toda atividade. Como diz o "Gita": - "Sem ação ninguém pode alcançar a inação." A atividade é um meio para alcançar o estado de meditação. Mesmo aqueles que abandonaram todo o trabalho e levam uma vida ascética, têm que dedicar algum tempo para obter o necessário para viver.
Em vez de trabalhar para ti, trabalha para o Senhor. Dedica-te a teu trabalho, pensando que o fazes como adoração ao Senhor. Se puderes trabalhar com essa idéia, teu trabalho não te escravizará. Além disso, far-te-á um bem físico, intelectual, moral e espiritual. Oferece corpo e alma aos pés do Senhor.
Entrega-te a Ele por completo, sê Seu servidor e dize-lhe: - "Dou-te meu corpo, minha alma e tudo que tenho. Faze deles o que Tu quiseres; eu estou pronto para servir-Te com todas as minhas forças." Se puderes fazer isso, a responsabilidade eu bem-estar espiritual ficará com Ele. Não necessitarás preocupar-te mais; mas tens que entregar-te com toda a alma. Não o faças com dúvida em teu coração, "tomando o Nome do Senhor para cruzar o rio e ao mesmo tempo, levantando as roupas para que não se molhem." * O trabalho e a adoração devem ser feitos juntos. ... A mente que está acostumada a seguir seus próprios impulsos, fará o mesmo durante o tempo da meditação. "
* Swami Brahmananda, filho espiritual de Sri Ramakrishna e primeiro presidente do Ramakrishna Mission.
* É uma referência à parábola de Sri Ramakrishna sobre a leiteira e o sacerdote brahmin. Uma leiteira fornecia leite a um sacerdote brahmin que vivia no outro lado de um rio. Devido às irregularidades no serviço dos barcos, ela não podia entregar-lhe o leite, com pontualidade, todos os dias. Uma vez, sendo repreendida por sua demora, a pobre mulher disse: - "Que posso fazer, senhor? Tenho que esperar muito tempo pelo barqueiro." O sacerdote repreendeu-a: - "Mulher!, cruza-se o oceano da vida repetindo o nome de Deus; e tu não podes cruzar este pequeno rio?" A mulher, em sua simplicidade, acreditou no sacerdote. A partir do dia seguinte, começou a cruzar rio, murmurando o nome de Deus. Um dia, o sacerdote perguntou-lhe como é que já não se atrasava como antes.
A mulher respondeu: - "Cruzo o rio, repetindo o nome do Senhor, como me mandaste." O sacerdote não podia crer e quis ver, por si mesmo, como a mulher cruzava o rio. A mulher levou-o com ela e começou a cruzar o rio, repetindo o nome do Senhor, enquanto caminhava sobre as águas. Mas ao olhar para trás, viu o sacerdote que a seguia com medo e que estava erguendo as roupas. "Como é isso", disse-lhe, "repete o nome do Senhor e, ao mesmo tempo, levanta as roupas para que não se molhem? Realmente, o senhor não confia em Deus."
domingo, 3 de abril de 2011
Equidade e Igualdade na espiritualidade
"A igualdade para todos é a essência dos princípios morais da Vedanta".
"A idéia de privilégio é a maldição da vida humana. ... a idéia de privilégio começa sendo exercida, de maneira brutal, pelos fortes sobre os fracos. Há o privilégio da riqueza: o homem que tem mais dinheiro quer ter regalias sobre o que tem menos. Existe o privilégio, ainda mais sutil e poderoso, do intelecto: o homem que tem mais conhecimento exige maiores prerrogativas. Finalmente, o pior de todos os privilégios, por ser o mais tirânico, é o da espiritualidade; os que pensam conhecer mais sobre Deus e a vida espiritual, reclamam para si as mais altas regalias.
Ninguém pode seguir a Vedanta e ao mesmo tempo admitir que qualquer tipo de privilégio fisico, mental ou espiritual seja exercido; de maneira categórica, não se admite privilégio para ninguém. O mesmo poder está dentro de cada pessoa; alguns o expressam mais, outros menos. Temos o mesmo potencial. Quem pode exigir privilégios?
A tarefa da Advaita é extinguir os privilégios.
... O mundo subjetivo governa o objetivo. Mude a causa e o efeito necessariamente mudará. Purifique-se e o mundo necessariamente se purificará. Agora, mais do que nunca, precisamos desses ensinamentos. Cada vez mais nos ocupamos de nosso vizinho e cada vez menos nos ocupamos de nós mesmos. O mundo mudará se mudarmos; se nos purificarmos o mundo se purificará. Eis a questão: por que ver o mal nos outros?
O sujeito mudou, então o objeto necessariamente mudará. Assim fala quem pratica a Vedanta. Quando chegarmos a este maravilho estado de igualdade, de equanimidade, haveremos de rir do que consideramos as causas da miséria e do mal. Na Vedanta isso se chama "alcançar a liberdade". O sinal de que nos aproximamos da liberdade é a manifestação cada vez maior de equidade e igualdade.
Assim, eliminando o privilégio e tudo em nós que o reforça, coloquemos em prática o conhecimento que permeará o sentimento de igualdade por toda a humanidade. Você se julga superior ao homem comum por usar uma linguagem mais refinada. Lembre-se que ao pensar dessa forma você não está caminhando para a liberdade, mas forjando mais um grilhão para seus pés. Acima de tudo, se a soberba da espiritualidade possuí-lo, infeliz de você. É a pior escravidão que existe. Nem a riqueza, nem qualquer outra coisa que possa aprisionar o coração humano, consegue oprimir tanto a alma. "Sou mais puro que os outros" é o pior pensamento que pode penetrar no coração humano. De que maneira você é puro? O Deus em você é o Deus em todos. Se você não tem conhecimento disso, não sabe nada. Como pode haver diferença? Tudo é um só. Cada criatura é templo do Altíssimo. Se você pode perceber isso, ótimo. Caso contrário, a espiritualidade ainda não chegou a você."
Swami Vivekananda, O que é Religião, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2004, p.68-74 (excertos)
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