terça-feira, 9 de agosto de 2011

O homem em busca da felicidade

             O desejo pela felicidade é inato em todos os seres. O homem não é exceção à esta regra. Se nós analisarmos bem nossas ações descobriremos que, movidos por este desejo, adquirimos certos objetos e evitamos outros, nos tornamos íntimos de certas pessoas e evitamos a companhia de outras; em suma, evitamos coisas desagradáveis e buscamos as agradáveis com a idéia de atingir a felicidade. Esta busca pela felicidade tem sido o poder motivador detrás de todos os esforços do homem, quer seja no campo temporal como no espiritual. Todas as suas descobertas no domínio da ciência tiveram esta meta em vista. Se hoje, o homem está ansioso para conseguir a supremacia sobre as forças naturais e para subjugá-las visando servir as suas necessidades, é apenas para este propósito. Se, no passado ou mesmo no presente, alguns poucos abandonaram o caminho trilhado pela vasta maioria da humanidade e evitaram buscas mundanas e se retiraram para uma floresta ou para dentro de si mesmos, isto também é devido à sua busca pela felicidade eterna.

             Mas a idéia de felicidade difere de acordo com o gosto e o desenvolvimento interno de cada indivíduo. A maioria da humanidade está satisfeita com a gratificação dos sentidos ou acha a felicidade nela. Este mundo, com seus objetos grosseiros, é tudo em que eles estão interessados. No
Katha Upanishad, Yama descreve com muita capacidade a mentalidade dessas pessoas: “Vivendo em meio dos objetos transientes, estas pessoas ignorantes, considerando-se sábias e de resolução firme, dão voltas e voltas, da mesma forma que um cego conduzido por outro cego. O que está além desta vida é imperceptível para os extraviados e intoxicados com a riqueza; pensando que este mundo é tudo que existe, eles caem sob minha influência repetidas vezes”.[i] Tais pessoas se cercam de objetos que dão prazer, mas são impermanentes; mesmo assim eles acreditam que essas coisas são eternas e imutáveis. E o fato de que eles têm sido capazes de possuí-las, engendra em suas mentes uma ótima opinião de si mesmos, como pessoas capazes e sábias. Assim, embriagados com o vinho da riqueza e do poder eles vagam por este mundo sem nenhuma meta mais elevada em vista. Para estas pessoas, que julgam tudo por suas percepções sensórias, o além é um mito, pois não pode ser captado pelos sentidos. Portanto, acreditando que este é o único mundo que existe, eles mergulham nos prazeres, adquirem o que podem e, como resultado, são atraídos repetidas vezes para ele.
Sri Ramakrishna divide os homens em quatro tipos: Os ligados, os buscadores de liberação, os liberados e os sempre-livres. Ele ilustra esta divisão com um exemplo: “Suponha que uma rede foi jogada em um lago para pescar peixes. Alguns peixes são tão espertos que jamais são presos pela rede. Estes são os sempre-livres. Mas a maioria dos peixes é presa pela rede. Alguns deles tentam se libertar dela, e eles são aqueles que buscam a liberação. Mas nem todos têm sucesso neste esforço. Alguns pulam para fora da rede, fazendo um grande ruído. Então o pescador grita: ‘Veja, lá vai um grande!’ Mas a maioria dos peixes presa na rede não pode escapar nem fazem qualquer esforço para sair. Pelo contrário, eles penetram na lama com a rede em suas bocas e ficam lá quietos, pensando: ‘ Nós não precisamos ter mais medo, estamos totalmente seguros aqui!’ Mas estes pobres peixes não sabem que o pescador irá retira-los com a rede. Estes são como os homens ligados ao mundo”. [ii] De novo, falando sobre felicidade, Sri Ramakrishna disse que existem três tipos: Vishayananda, prazer que se consegue na satisfação dos sentidos; bhajanananda, felicidade que se obtêm pelas práticas espirituais, e Brahmananda, a bem-aventurança que se atinge na realização de Deus. A última não pode ser medida ou comparada com qualquer outra felicidade, ela não pode ser nem mesmo imaginada.


Swami Paratparananda, trecho do artigo em Inglês “The Man in Search of Happiness” publicado na revista “Vedanta for East and West” n°- 159. Leia o artigo completo

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