segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Karma Yoga

"Quando a idéia de fazer o bem torna-se parte integrante de seu ser real, ele não irá procurar por nenhum motivo externo. Façamos o bem porque é bom fazer o bem. Mesmo quem pratica o bem para ir para o céu, prende-se à terra, diz o karma iogue. Toda ação praticada, mesmo que o motivo seja o menos egoísta de todos, em vez de libertar-nos, forja mais um grilhão para os nossos pés.

 

A única saída é renunciar aos frutos da ação, desapegando-se deles.  (...) É muito bom dizer que devemos ser completamente desapegados, mas como alcançar essa meta? Cada boa ação praticada sem motivo ulterior, em vez de forjar um novo grilhão romperá elos das cadeias existentes. Cada bom pensamento que enviamos ao mundo sem esperar retribuição, ficará armazenado para romper um elo da cadeia, tornando-nos cada vez mais puros, até que nos tornemos o mais puro dos mortais."

Swami Vivekananda, O que é Religião, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2004. p. 252-253 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Krishna Janmashtami*

"A todos os meus filhos no mundo, a todos os viventes, eu olho com igual amor e simplicidade. Todos Me são igualmente caros; não repilo a ninguém e a ninguém prefiro. Aqueles, porém, que Me adoram e a Mim se dedicam, esses estão em Mim e Eu neles." Krishna - Bhagavad-Gita IX-29  
Baixe o Srimad Bhagavad Gita - Tradução de Swami Vijoyananda e conheça os ensinamentos e a importância de Bhagavan Krishna
*Aniversário de Sri Krishna - uma das grandes celebrações hindus

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Inspiração da Semana

"Entusiasmo e regularidade são essenciais para a prática. (...)
Shri Ramakrishna assegura a seus devotos que quando uma pessoa dá um passo na direção de Deus, Ele dá dez passos na direção dela. Tudo o que um discípulo da yoga deve fazer é praticar regularmente a meditação sob a orientação de um mestre qualificado.
Finalmente, os discípulos da meditação devem ser lembrados, mais uma vez, de que o propósito da yoga não é adquirir poderes sobrenaturais, mas obter a experiência da divindade. Essa é a principal meta da vida espiritual. Ao alcançar essa meta, nos tornamos perfeitos, imortais e satisfeitos para sempre."
                                                                                                       Swami Bhaskarananda

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sri Ramakrishna Mahasamadhi

"Sri Ramakrishna (1836-1886) é adorado por milhares de pessoas como uma encarnação divina, ou avatar. Sua vida foi um testemunho da verdade e da universalidade dos princípios espirituais, assim como da pureza e do amor.

Vivia constantemente absorto em Deus. Em seus freqüentes êxtases espirituais, alcançava o sublime estado de união com a Infinita Realidade.

Para ele, o ensinamento védico da unidade da existência era mais que uma teoria, pois realizou essa verdade pela percepção direta. Ramakrishna trilhou diferentes caminhos religiosos dentro do hinduísmo. Praticou depois o islamismo e mais tarde meditou profundamente em Cristo, experimentando a mesma divina Realidade também através destes caminhos não-hindus.
 
Sri Ramakrishna não escreveu nenhum livro, nem ministrou palestras públicas. Ao invés disso, ele optou por falar em linguagem simples com o uso de parábolas e metáforas de maneira ilustrativa, e que foram coletadas através da observação da natureza e das coisas comuns do dia-a-dia. Suas conversas eram encantadoras e atraíram a elite cultural de Bengala. Estas conversas foram anotadas por um de seus discípulos, Mahendranath Gupta, que os publicou sob a forma de livro, Sri Sri Ramakrishna Kathamrita (O néctar das palavras de Sri Ramakrishna) em Bengali. Sua versão em inglês, O Evangelho de Sri Ramakrishna, foi publicada em 1942; e continua aumentando sua popularidade ainda hoje em função de sua relevância e apelo universal.
 
A intensidade de sua vida espiritual e a incansável tarefa de dar instruções espirituais para o fluxo interminável de aspirantes, consumiu a saúde de Sri Ramakrishna, que desenvolveu câncer na garganta em 1885. Ele então, se mudou para uma casa de campo mais espaçosa, onde seus jovens discípulos puderam cuidar dele dia e noite. Ele instigou neles o amor um pelo outro, e assim lançou a pedra fundamental para a futura ordem monástica conhecida como Ramakrishna Math. Nas primeiras horas do dia 16 de agosto de 1886, Sri Ramakrishna deixou seu corpo, repetindo o nome da Mãe Divina, e assim mergulhou na eternidade."

Veja também um artigo inspirador de um de seus discípulos diretos - Swami Subhodananda: Reminiscências de Sri Ramakrishna
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Fonte: www.vedanta.org.br

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O homem em busca da felicidade

             O desejo pela felicidade é inato em todos os seres. O homem não é exceção à esta regra. Se nós analisarmos bem nossas ações descobriremos que, movidos por este desejo, adquirimos certos objetos e evitamos outros, nos tornamos íntimos de certas pessoas e evitamos a companhia de outras; em suma, evitamos coisas desagradáveis e buscamos as agradáveis com a idéia de atingir a felicidade. Esta busca pela felicidade tem sido o poder motivador detrás de todos os esforços do homem, quer seja no campo temporal como no espiritual. Todas as suas descobertas no domínio da ciência tiveram esta meta em vista. Se hoje, o homem está ansioso para conseguir a supremacia sobre as forças naturais e para subjugá-las visando servir as suas necessidades, é apenas para este propósito. Se, no passado ou mesmo no presente, alguns poucos abandonaram o caminho trilhado pela vasta maioria da humanidade e evitaram buscas mundanas e se retiraram para uma floresta ou para dentro de si mesmos, isto também é devido à sua busca pela felicidade eterna.

             Mas a idéia de felicidade difere de acordo com o gosto e o desenvolvimento interno de cada indivíduo. A maioria da humanidade está satisfeita com a gratificação dos sentidos ou acha a felicidade nela. Este mundo, com seus objetos grosseiros, é tudo em que eles estão interessados. No
Katha Upanishad, Yama descreve com muita capacidade a mentalidade dessas pessoas: “Vivendo em meio dos objetos transientes, estas pessoas ignorantes, considerando-se sábias e de resolução firme, dão voltas e voltas, da mesma forma que um cego conduzido por outro cego. O que está além desta vida é imperceptível para os extraviados e intoxicados com a riqueza; pensando que este mundo é tudo que existe, eles caem sob minha influência repetidas vezes”.[i] Tais pessoas se cercam de objetos que dão prazer, mas são impermanentes; mesmo assim eles acreditam que essas coisas são eternas e imutáveis. E o fato de que eles têm sido capazes de possuí-las, engendra em suas mentes uma ótima opinião de si mesmos, como pessoas capazes e sábias. Assim, embriagados com o vinho da riqueza e do poder eles vagam por este mundo sem nenhuma meta mais elevada em vista. Para estas pessoas, que julgam tudo por suas percepções sensórias, o além é um mito, pois não pode ser captado pelos sentidos. Portanto, acreditando que este é o único mundo que existe, eles mergulham nos prazeres, adquirem o que podem e, como resultado, são atraídos repetidas vezes para ele.
Sri Ramakrishna divide os homens em quatro tipos: Os ligados, os buscadores de liberação, os liberados e os sempre-livres. Ele ilustra esta divisão com um exemplo: “Suponha que uma rede foi jogada em um lago para pescar peixes. Alguns peixes são tão espertos que jamais são presos pela rede. Estes são os sempre-livres. Mas a maioria dos peixes é presa pela rede. Alguns deles tentam se libertar dela, e eles são aqueles que buscam a liberação. Mas nem todos têm sucesso neste esforço. Alguns pulam para fora da rede, fazendo um grande ruído. Então o pescador grita: ‘Veja, lá vai um grande!’ Mas a maioria dos peixes presa na rede não pode escapar nem fazem qualquer esforço para sair. Pelo contrário, eles penetram na lama com a rede em suas bocas e ficam lá quietos, pensando: ‘ Nós não precisamos ter mais medo, estamos totalmente seguros aqui!’ Mas estes pobres peixes não sabem que o pescador irá retira-los com a rede. Estes são como os homens ligados ao mundo”. [ii] De novo, falando sobre felicidade, Sri Ramakrishna disse que existem três tipos: Vishayananda, prazer que se consegue na satisfação dos sentidos; bhajanananda, felicidade que se obtêm pelas práticas espirituais, e Brahmananda, a bem-aventurança que se atinge na realização de Deus. A última não pode ser medida ou comparada com qualquer outra felicidade, ela não pode ser nem mesmo imaginada.


Swami Paratparananda, trecho do artigo em Inglês “The Man in Search of Happiness” publicado na revista “Vedanta for East and West” n°- 159. Leia o artigo completo