domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meditação e o Gayatri Mantra

"Asssim meditavam os hindus dos tempos védicos. Para eles, a meditação era um hábito que fazia parte de suas práticas religiosas. Repetiam com grande concentração as palavras sagradas do Gayatri, o mantra mais antigo e conhecido da Índia que, ainda hoje, é recitado diariamente. 

Alguns sábios constataram que a meditação já era conhecida desde a pré-história. Podem ser encontradas esculturas muito antigas que representam um homem sentado, com o corpo ereto, em postura de meditação." (Swami Ritajananda, “A prática da meditação”, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2006, Cap. 2)

Tradução simplificada do Gayatri Mantra, Rig Veda

“Possamos nós meditar
no Ser adorável e resplandecente
que deu origem ao universo!
Possa Ele dirigir nossa inteligência para a Luz!”

Sânscrito

 Em Devanagari:
ॐ भभवसवः । तत सववतवरणय । भरो दवसय धीमहि । धधयो यो नः
पचोदयात ॥

 Em IAST:
Om bhūr bhuvar svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Meditação: para conhecer a verdadeira natureza e não para desenvolver poderes

"Patânjali escreveu um livro sobre os poderes ocultos, chamados siddhis, na qual ele explica que, para nós, são um obstáculo a ser superado. Da mesma forma que Sri Ramakrishna, ele nos previne a respeito dos perigos que implicam esses poderes. Podemos conquistar poderes miraculosos, mas não devemos nos preocupar com eles e, sim, nos afastar deles. É preciso ter consciência de que são um empecilho que deve ser superado. Se você compreende como todos os fenômenos ocultos são produzidos, não irá mais procurá-los.

Patañjali Estátua em Pantanjali Yog Haridwar Peeth
Fonte: Wikipedia 

Os poderes não trarão paz, nem felicidade, pois os objetos desse mundo não têm essa capacidade. Somente ao encontrar sua verdadeira natureza você obterá alegria e grande contentamento.

Os iogues procuram dominar sua própria natureza para não serem mais escravizados por ela. Os sofrimentos deste mundo provêm dessa sujeição. A natureza pode usar qualquer coisa para me atrair, mas se estou consciente de que sou eu quem toma a decisão sobre o que fazer, ela não será mais uma tentação para mim. O escravo não gosta da escravidão e busca liberdade; nossa alma também. Quando a encontramos, tudo o que acontece à nossa volta perde a importância, até mesmo os maiores milagres."

Swami Ritajananda, A prática da meditação, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, p. 69 e 70

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meditação: A hora de meditar

"Você deve praticar pelo menos duas vezes por dia, e a melhor ocasião é pela manhã e à tarde. Quando a noite se transforma em dia e o dia em noite, segue-se uma fase de relativa calma. De manhã bem cedo e à tardinha são os dois períodos de tranqüilidade. Seu corpo terá uma igual tendência de se acalmar nessa hora. Devemos aproveitar essa condição natural e começar a prática. Adote como regra não comer antes de ter praticado; se fizer isso, a aguda força da fome quebrará sua preguiça. Na Índia ensinam as crianças a não comerem antes de terem meditado ou feito adoração e isto torna-se natural para elas, com o decorrer do tempo; um menino não sentirá fome antes de se banhar e praticar." (I. 144-45)   Swami Vivekananda

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Inspiração da Semana

“Quando o homem vê Brahman em sua mente e O percebe em todas as suas diferentes atividades, a isto se chama pranayama.
Quando o homem está convencido de que o mundo é ilusório, a isto se chama expiração.
Quando está claro que eu sou Brahman, a isto se chama inspiração.
Quando essa idéia está fortemente estabelecida no homem, a isto se chama retenção do alento.”
Tejabindu Upanishad

"O verdadeiro  yogi, deixando os objetos exteriores influenciar só o seu exterior e não a sua alma, abre as vistas interiores à Luz Eterna e une a sua respiração externa com a interna, em ritmo de harmonia."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O coração do devoto é a morada de Deus

"O Mestre continuou: “Mas não se deve esquecer que o coração do devoto é a morada de Deus. Ele habita, sem dúvida, em todos os seres, mas Se manifesta de forma especial no coração do devoto. Um senhor de grandes terras pode, de vez em quando, visitar todos os lugares de sua imensa propriedade, mas dizem que geralmente só é encontrado numa determinada sala de sua casa. O coração do devoto é a sala de Deus.

“Aquele que é chamado de Brahman pelos jnanis, é conhecido como Atman pelos yogis e Bhagavan pelos bhaktas. O mesmo Brahmin é chamado de sacerdote quando faz o culto no templo e de cozinheiro, quando prepara suas refeições. O jnani, trilhando o caminho do Conhecimento, sempre discrimina sobre a Realidade, dizendo: ‘Isto não, isto não.’ Brahman não é nem ‘isso’ , nem ‘aquilo’. Ele não é nem o universo, nem os seres humanos. Discriminando dessa maneira a mente torna-se estável. Logo ela desaparece e o aspirante entra em samadhi. Esse é o Conhecimento de Brahman. É a certeza firme do jnani de que, somente Brahman é real e o mundo ilusório. Todos esses nomes e for-mas são ilusórios como um sonho. O que Brahman é, não pode ser descrito. Não se pode nem mesmo dizer que Brahman é uma Pessoa. É essa a opinião dos jnanis, seguidores da filosofia Vedanta.

“Mas os bhaktas aceitam todos os estados de consciência. Consideram o estado de vigília como real, também. Não consideram o mundo ilusório, como um sonho. Dizem que o mundo é uma manifestação do poder e da glória de Deus. Deus criou tudo – céu, estrelas, lua, sol, montanhas, oceanos, homens e animais. Tudo isso constitui Sua glória. Está dentro de nós, em nossos corações. Também, Ele está no exterior. Os devotos mais adiantados dizem que Ele Próprio tornou-se tudo isso – os vinte e quatro princípios cósmicos, o universo e todos os seres vivos. O devoto de Deus quer comer açúcar e não, tornar-se açúcar. (Todos riem).

“Sabem como o amante de Deus se sente? Sua atitude é: ‘Ó Deus, Tu és o Amo, eu sou Teu servo. Tu és as Mãe, eu sou Teu filho.’ Ou então: ‘Tu és Pai e Mãe. Tu és o Todo, eu sou a parte.’ Ele não gosta de dizer: ‘Eu sou Brahman.’

“O yogi quer realizar o Paramatman, a Alma Suprema. Seu ideal é a união da alma individual com a Alma Suprema. Retira a mente dos objetos dos sentidos e procura concentrar-se no Paramatman. Por conseguinte, no primeiro estágio de sua disciplina espiritual, retira-se para um lugar isolado com atenção concentrada, pratica meditação numa postura estável.

“Mas a Realidade é una e a mesma. A diferença está apenas no nome. Aquele que é Brahman é, na verdade, Atman, e também, Bhagavan. É Brahman para os seguidores do caminho do Conhecimento, Paramatman para os yogis e Bhagavan, para os amantes de Deus.”

O barco navegava para Calcutá, mas os passageiros com os olhos fixos no Mestre e com os ouvidos nas suas palavras impregnadas de néctar divino, estavam inconscientes de todo movimento. Dakshineswar com seus templos e jardins, havia ficado para trás. Os remos batiam nas águas do Ganges, criando um som murmurante, mas os devotos estavam indiferentes a tudo isso. Encantados, olhavam para o grande yogi, a face iluminada por um sorriso divino, o semblante irradiando amor, os olhos brilhando de alegria – um homem que a tudo renunciara por Deus e que não conhecia nada a não ser Deus. Incessantes palavras de sabedoria fluíam de seus lábios.

Mestre: “Os jnanis, que seguem a filosofia não-dualista da Vedanta, dizem que os atos de criação, preservação e destruição, o próprio universo e todos os seres vivos, são manifestações de Shakti, o Poder Divino. Se discriminarmos, veremos que tudo isso é ilusório como um sonho. Só Brahman é a Realidade, tudo o mais é irreal. Mesmo a Própria Shakti não tem substância, como um sonho.

“Mas embora vocês discriminem toda a vida, a não ser que estejam estabelecidos em samadhi, não poderão ir além da jurisdição de Shakti, mesmo que digam: ‘Estou meditando’ ou ‘Estou contemplando’, ainda assim, estariam no domínio de Shakti, dentro de Seu Poder.

“Assim Brahman e Shakti são idênticos. Se aceitarem um, têm que aceitar o outro. É como o fogo e seu poder de queimar. Se virem o fogo, têm que reconhecer também, seu poder de queimar. Não podem pensar em fogo, sem seu poder de queimar, nem podem pensar no poder de queimar, sem o fogo. Não se pode conceber os raios de sol sem o sol, nem se pode conceber o sol sem os raios.

“Como é o leite? Ó, vocês dizem que é algo branco. Não podem pensar em leite sem sua brancura e também, pensar na brancura sem pensar no leite.

“Assim, não se pode pensar em Brahman sem Shakti, ou em Shakti sem Brahman. Não se pode pensar no Absoluto sem o Relativo, ou no Relativo sem o Absoluto.

“O Poder Primordial está sempre em ação . Está sempre criando, preservando e destruindo, como um jogo. Este Poder é chamado Kali. Kali é na verdade, Brahman e Brahman é de fato, Kali. É uma e mesma Realidade. Quando pensamos n’Ela como inativa, quer dizer, não engajada na criação, preservação e destruição, A chamamos Brahman, mas quando Ela está ocupada nessas atividades, A chamamos Kali ou Shakti. A Realidade é uma e a mesma: a diferença está em nome e forma.

“É como a água, chamada em diferentes línguas por nomes diferentes, como ‘jali’, ‘pani' e assim por diante.
Há três ou quatro ghats no lago. Os hindus bebem água num lugar, chamam-na ‘jal’. Os muçulmanos num outro lugar, chamam-na ‘pani’. E os ingleses num terceiro lugar, ‘water’. Os três nomes denotam uma e mesma coisa, a diferença está somente no nome. De algum modo, alguns dirigem-se à Realidade como ‘Alá’, alguns como ‘Deus’, alguns como ‘Brahman’ ou ‘Kali’, e outros por nomes como ‘Rama’, ‘Jesus’, ‘Durga’, ‘Hari’."

Fonte: Evangelho de Sri Ramakrishna, Vol. I, Cap. V,