segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mensagem de Fim de Ano

Nesta quarta-feira, 21/12 às 19h30 faremos o último estudo do ano com o tema "Meditando no Cristo Interior", seguido de meditação. Você é muito bem-vindo!

Estaremos de recesso do dia 22/12/2011 até 13/01/2012.
Reabriremos no sábado, 14/01/2012 às 17h para a celebração do 149o aniversário de nascimento de Swami Vivekananda, com vídeo, Arati e meditação.

Desejamos a você e a todos os seus familiares um abençoado Natal
e um novo ano cheio de paz, vigor e nobres realizações!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sri Sarada Ma

"Deus nos pertence. A realização de Deus é proporcional à intensidade do amor que sentimos por Ele."

"Sentir intensa devoção por Deus requer muito esforço. Mas o que se pode obter sem esforço? Você deve reservar algum tempo para oração mesmo nas horas mais atarefadas do dia."

"A graça de Deus é imprescindível. A pessoa deveria sentar-se na beira do rio e orar para recebê-la. No tempo certo será levada a fazer a travessia."

"Entregue-se a Deus para receber Sua graça."
Sri Sarada Devi

Venha celebrar conosco o 158o aniversário de nascimento de Sri Sarada Devi, a Santa Mãe. - 17 de dezembro às 17h às 19h - com cantos, leituras, Arati e meditação.

sábado, 26 de novembro de 2011

Por que devemos meditar?

A realização de Deus ou a experiência da verdade suprema é o mais elevado objetivo da meditação. De acordo com os sábios, deveríamos meditar unicamente para atingir a finalidade mais elevada da vida humana, que é realizar a divindade ou a Verdade última.”


“Todas as religiões monoteístas acreditam na onipresença de Deus. Entre elas, é o hinduísmo que expressa mais enfaticamente a presença da divindade em todos os seres humanos. A divindade está igualmente presente em cada um de nós, mas nem sempre se manifesta da mesma maneira. O propósito de todas as práticas espirituais, inclusive da meditação, é manifestar essa divindade inerente a todos os seres humanos, que só se revela por completo no estado de Samadhi ou yoga; só então é possível dizer que a alma de uma pessoa alcançou o conhecimento de Deus.”

Essa Divindade é nosso verdadeiro Self, a essência do nosso ser. Podemos desistir de tudo que nos é extrínseco, mas não da essência de nossa existência. Cedo ou tarde esse verdadeiro Self, a divindade, deve manifestar-se. Todos, sem exceção, algum dia irão experimentar em seu interior a presença desse divino Self em infinito esplendor. Nisso consiste a realização de Deus, a meta inevitável da vida humana.”
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Cap. 1 – do livro: “Meditação – A mente e a yoga de Patânjali”, Swami Bhaskarananda, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2005.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Falando de Deus ou vivendo Deus?

“Falam os homens comuns de religião às toneladas, mas não praticam uma grama sequer da mesma. O sábio, em troca, fala pouco, conquanto sua vida  inteira seja religião expressa em ação.”

“Pensam muitos que o conhecimento de Deus só se pode obter mediante o estudo dos livros. Entretanto, melhor que ler é ouvir, e melhor que ouvir é ver e realizar. Ouvir a verdade dos lábios do preceptor causa mais impressão que a mera leitura dos livros; maior impressão, porém, produz o ver. Melhor que ler acerca de Benares é ouvir-lhe a descrição por conhecedor da mesma; mas, o melhor de tudo, é ver a Benares com nossos próprios olhos.”

Primeiro instala Deus no templo de teu coração. Depois de ver Deus, e não antes, poderá se dedicar, se quiser, às pregações e aos demais. Falam todos muito facilmente de Deus e de Brahman (Ser Supremo), mas apegam-se o tempo inteiro às coisas do mundo. A que se reduz tudo isto? É como tocar o búzio (sankha) convidando os fiéis para o culto, sem ter instalado a Deidade no templo.”

Ensinamentos de Sri Ramakrishna Paramahansa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Inspiração da Semana


"Quando a consciência se eleva ainda mais, quando esta pequena consciência insignificante desaparece para sempre, a Realidade que está por trás resplandece e nós a vemos como Existência-Conhecimento-Felicidade, o Atman, o Único, o Universal. 'Aquele que é o próprio Conhecimento, Aquele que é a própria Felicidade, Aquele que é incomparável, ilimitado, eternamente livre, nunca preso por nenhum laço, infinito e imutável como o céu. Tal ser haverá de manifestar-se em seu coração na meditação.' "

Swami Vivekananda, O que é Religião, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2004, p. 141.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Retiro Espiritual

Com Swami Nirmalatmananda - Presidente e Diretor Espiritual do Movimento Ramakrishna Vedanta no Brasil. Monge desde 1975, foi designado pelo Ramakrishna Math and Mission da Índia para residir no Ashrama da ordem em São Paulo desde 1999.


Tema:
Meditação - Mente Saudável, Corpo Saudável

Data: 23/10/2011 (domingo)
Horário: 9h às 18h
Local: Centro Cultural de Brasília, Av. L2 Norte, SGAN 601, módulo B

Contribuição sugerida: R$ 40,00
(almoço e lanche inclusos)
- Vagas limitadas -

Inscrição antecipada - informações vedantadf@gmail.com

domingo, 9 de outubro de 2011

Antes de começar a meditar

Por Swami Ashokananda *

"Eu creio que através da meditação, que é o ininterrupto fluxo de um mesmo pensamento em Deus, pode-se alcançar facilmente o Altíssimo. E é a mente que eventualmente sucumbe ante um pensamento a que é sujeita sem interrupção por um tempo prolongado. Se continuarmos infundindo na mente certo tipo de consciência - qualquer que seja a condição da mente em um princípio, espiritual ou não, cheia de amor para Deus ou com desejos intranqüilos – com o transcurso do tempo a mudança desejada se operará.

Sri Ramakrishna teve grande insistência quanto a isso. Para mim levou muito tempo assimilar um de seus ensinamentos sobre o tema, mas quando compreendi, e espero realmente tê-lo feito, encontrei nele uma grande esperança e segurança. Ele costumava dizer que a mente é como um tecido novo que toma a cor da tinta na qual foi mergulhada.
 
A princípio, pensei que ele queria dizer que a mente deve tornar-se absolutamente pura antes de ser mergulhada no pensamento de Deus etomar sua cor. Não via nada de particularmente alentador nisto, porque o grande problema de quase todos os aspirantes espirituais é precisamente alcançar a pureza da mente. Tal purificação equivale a três quartas partes da batalha, pois quando isso acontece, a realização espiritual vem espontaneamente. Certamente, à medida que refletia sobre o exemplo de Sri Ramakrishna, comecei a compreende-lo de outro modo.
 
Ao comparar a mente com um tecido novo, ele falava da mente comum, a mente que está tão atolada de pensamentos e sentimentos mundanos e contraditórios, e que é tão adversa ao pensamento de Deus. Não era a mente purificada a que ele assemelhava ao tecido novo, mas a mente em qualquer condição em que pudesse se encontrar. Vi que queria dizer que mesmo essa mente comum, se fosse mergulhada no pensamento de Deus, tomaria a cor espiritual."   Clique aqui para ler todo o artigo
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* Swami Ashokananda: (1893-1969) foi, durante os últimos trinta e oito anos de sua vida, o diretor da Vedanta Society of Northern California. Nascido e educado no que agora é Bangladesh, foi mestre de escola por pouco tempo, durante o qual se esforçou por colocar em prática os princípios de Swami Vivekananda de servir a Deus no homem, na comunidade de sapateiros. Uniu-se à Ordem Ramakrishna em1920 e prestou serviços principalmente como editor de sua revista Prabuddha Bharata, tendo se distinguido por seus editoriais, antes de ser destinado a San Francisco. Ali reavivou o monastério, fundou um convento e começou o que agora são as Sociedades Vedanta de Berkeley e Sacramento.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Encontro com Dalai Lama

Visita do Dalai Lama ao Brasil, no mês de setembro de 2011

O décimo quarto Dalai Lama, Tenzin Gyatzo, esteve visitando o Brasil neste mês de setembro de 2011. Swami Nirmalatmananda participou de uma de suas conferências, realizada no sábado, dia 17 de setembro, no World Trade Center de São Paulo. Dalai Lama abordou diferentes conceitos da filosofia budista e sobre espiritualidade em geral. Sua Santidade interagiu com o público de forma descontraída e bem-humorada, expondo com simplicidade seus principais ensinamentos. Dalai Lama está prestes a se retirar da política, mantendo somente sua posição de líder supremo e diretor espiritual do budismo tibetano.  (Fonte: www.vedanta.org.br)

Para ver as fotos , Clique Aqui
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Em outubro, dias 21 a 23, Swami Nirmalatmananda visitará novamente nosso Centro. A programação completa será divulgada em breve.

sábado, 10 de setembro de 2011

Encarnação Divina - A Personificação de Infinitas Ideias Espirituais

"Leva séculos para a humanidade compreender uma encarnação. Por séculos, milhões de pessoas têm sido inspiradas pelas vidas e ensinamentos de Buda e Cristo, e centenas de livros foram escritos a seu respeito. No entanto, continua-se a estimular estudos, e novos livros estão surgindo e lançando novas luzes de relevância e significado contemporâneo sobre esses antigos mestres."

"A encarnação, que é a 'personificação de infinitas ideias espirituais', leva séculos para ser reconhecida. Através de inumeráveis instituições e tradições religiosas, através das mentes criativas de santos e sábios, artistas, pensadores, filósofos e líderes sociais, suas ideias encontram expressão por um longo período de tempo. Essas ideias inspiram, confortam e guiam a humanidade sofredora até que todos, até a última pessoa, encontrem-se seguros diante dos portais da imortalidade. Nesse sentido, pode-se dizer que a vida e a missão de Sri Ramakrishna apenas começou."
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Excertos do artigo Sri Ramakrishna, O Desconhecido. Swami Bhajanananda.
Swami Bhajanananda foi editor de Prabuddha Bharata, de 1979 à 1986, e tem contribuído com muitos artigos para vários jornais Vedantistas. Swami Bhajanananda é o assistente ao Secretário Geral da Ordem Ramakrishna. Este artigo foi publicado pela primeira vez em Março de 1979, na revista Prabuddha Bharata.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Em Direção à Meta Suprema

Excertos do livro "Paramartha Prasanga" - Em direção à Meta Suprema, por Swami Virajananda

* Para realizar a Deus um aspirante deve ter: Paciência, Perseverança, Pureza de corpo e mente, Intenso desejo ou anelo, o conjunto dos Seis Atributos, que são, Shama (tranquilidade mental), Dama (controle dos sentidos), Uparati (abandono do apego aos objetos), Titikshâ (permanecer firme em meio a todo tipo de aflição), Shraddhâ (fé nas palavras do mestre espiritual e nas escrituras), e Samâdhâna (concentração da mente sobre oIdeal Escolhido, ou Deus).

* Qualquer período que você devota ao Japa e à meditação – mesmo que seja apenas dez ou quinze minutos – faça com todo seu coração e alma. O Senhor é o Morador Interno, é o Guia Interior. Ele vê o seu coração; Sua medida não é sobre quanto tempo você medita sobre ele ou quantas vezes você faz Japa, mas, sim, sobre seu anseio interior.

* No início, Japa e meditação parecem secos [sem gosto]. Mesmo assim, você deve continuar a praticá-los, mesmo que seja como tomar um remédio. Você terá gosto e felicidade após ter praticado continuamente por três ou quatro anos. Então, se deixar de praticar por apenas um dia se sentirá miserável,deslocado, por assim dizer.

* Quando, pela prática continua de Japa e meditação, a mente se tornar calma e purificada, então a própria mente se tornará seu Guru, ou guia, e você terá a compreensão correta de tudo, encontrando as soluções de suas dúvidas e questionamentos espirituais dentro de si mesmo. A mente dirá a você o que fazer, uma coisa após a outra e como você deve conduzir-se.

* Quando fizer Japa, medite sobre a forma do Ideal Escolhido também. De outra maneira, o Japa nunca será profundo. Mesmo se a forma inteira da Divindade não aparecer na meditação, comece com qualquer parte da forma que for capaz de visualizar. Tente diversas vezes, mesmo se você falhar. Por que deveria abandonar se não tiver sucesso? Você tem que continuar com tenacidade. Por acaso a meditação vem facilmente pela mera vontade? Repetidos esforços devem ser feitos para retirar a mente de outros objetos e fixá-la sobre o objeto da meditação. O sucesso chegará enquanto se continua praticando.

* Japa, ou repetição mental do Mantra, contando sobre os dedos com um rosário ou guardando o número de repetições – todos estes são apenas meios preliminares para ajudar a retirar a mente de outros objetos e fixá-la no objeto da adoração. De outro modo, você não saberá quando a mente poderá correr em outra direção; ou você pode ter até adormecido. Portanto, apesar desses processos parecerem para alguns como causadores de distração no início, eles o capacitarão a manter-se vigilante sobre as andanças da mente, detectá-las facilmente, e trazê-la de volta ao objeto da meditação.

Swami Virajananda (1873-1951), um discípulo da Santa Mãe Sri Sarada Devi, foi iniciado como monge por Swami Vivekananda; em 1938 tornou-se o Sexto Presidente da Ordem Ramakrishna.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Karma Yoga

"Quando a idéia de fazer o bem torna-se parte integrante de seu ser real, ele não irá procurar por nenhum motivo externo. Façamos o bem porque é bom fazer o bem. Mesmo quem pratica o bem para ir para o céu, prende-se à terra, diz o karma iogue. Toda ação praticada, mesmo que o motivo seja o menos egoísta de todos, em vez de libertar-nos, forja mais um grilhão para os nossos pés.

 

A única saída é renunciar aos frutos da ação, desapegando-se deles.  (...) É muito bom dizer que devemos ser completamente desapegados, mas como alcançar essa meta? Cada boa ação praticada sem motivo ulterior, em vez de forjar um novo grilhão romperá elos das cadeias existentes. Cada bom pensamento que enviamos ao mundo sem esperar retribuição, ficará armazenado para romper um elo da cadeia, tornando-nos cada vez mais puros, até que nos tornemos o mais puro dos mortais."

Swami Vivekananda, O que é Religião, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2004. p. 252-253 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Krishna Janmashtami*

"A todos os meus filhos no mundo, a todos os viventes, eu olho com igual amor e simplicidade. Todos Me são igualmente caros; não repilo a ninguém e a ninguém prefiro. Aqueles, porém, que Me adoram e a Mim se dedicam, esses estão em Mim e Eu neles." Krishna - Bhagavad-Gita IX-29  
Baixe o Srimad Bhagavad Gita - Tradução de Swami Vijoyananda e conheça os ensinamentos e a importância de Bhagavan Krishna
*Aniversário de Sri Krishna - uma das grandes celebrações hindus

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Inspiração da Semana

"Entusiasmo e regularidade são essenciais para a prática. (...)
Shri Ramakrishna assegura a seus devotos que quando uma pessoa dá um passo na direção de Deus, Ele dá dez passos na direção dela. Tudo o que um discípulo da yoga deve fazer é praticar regularmente a meditação sob a orientação de um mestre qualificado.
Finalmente, os discípulos da meditação devem ser lembrados, mais uma vez, de que o propósito da yoga não é adquirir poderes sobrenaturais, mas obter a experiência da divindade. Essa é a principal meta da vida espiritual. Ao alcançar essa meta, nos tornamos perfeitos, imortais e satisfeitos para sempre."
                                                                                                       Swami Bhaskarananda

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sri Ramakrishna Mahasamadhi

"Sri Ramakrishna (1836-1886) é adorado por milhares de pessoas como uma encarnação divina, ou avatar. Sua vida foi um testemunho da verdade e da universalidade dos princípios espirituais, assim como da pureza e do amor.

Vivia constantemente absorto em Deus. Em seus freqüentes êxtases espirituais, alcançava o sublime estado de união com a Infinita Realidade.

Para ele, o ensinamento védico da unidade da existência era mais que uma teoria, pois realizou essa verdade pela percepção direta. Ramakrishna trilhou diferentes caminhos religiosos dentro do hinduísmo. Praticou depois o islamismo e mais tarde meditou profundamente em Cristo, experimentando a mesma divina Realidade também através destes caminhos não-hindus.
 
Sri Ramakrishna não escreveu nenhum livro, nem ministrou palestras públicas. Ao invés disso, ele optou por falar em linguagem simples com o uso de parábolas e metáforas de maneira ilustrativa, e que foram coletadas através da observação da natureza e das coisas comuns do dia-a-dia. Suas conversas eram encantadoras e atraíram a elite cultural de Bengala. Estas conversas foram anotadas por um de seus discípulos, Mahendranath Gupta, que os publicou sob a forma de livro, Sri Sri Ramakrishna Kathamrita (O néctar das palavras de Sri Ramakrishna) em Bengali. Sua versão em inglês, O Evangelho de Sri Ramakrishna, foi publicada em 1942; e continua aumentando sua popularidade ainda hoje em função de sua relevância e apelo universal.
 
A intensidade de sua vida espiritual e a incansável tarefa de dar instruções espirituais para o fluxo interminável de aspirantes, consumiu a saúde de Sri Ramakrishna, que desenvolveu câncer na garganta em 1885. Ele então, se mudou para uma casa de campo mais espaçosa, onde seus jovens discípulos puderam cuidar dele dia e noite. Ele instigou neles o amor um pelo outro, e assim lançou a pedra fundamental para a futura ordem monástica conhecida como Ramakrishna Math. Nas primeiras horas do dia 16 de agosto de 1886, Sri Ramakrishna deixou seu corpo, repetindo o nome da Mãe Divina, e assim mergulhou na eternidade."

Veja também um artigo inspirador de um de seus discípulos diretos - Swami Subhodananda: Reminiscências de Sri Ramakrishna
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Fonte: www.vedanta.org.br

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O homem em busca da felicidade

             O desejo pela felicidade é inato em todos os seres. O homem não é exceção à esta regra. Se nós analisarmos bem nossas ações descobriremos que, movidos por este desejo, adquirimos certos objetos e evitamos outros, nos tornamos íntimos de certas pessoas e evitamos a companhia de outras; em suma, evitamos coisas desagradáveis e buscamos as agradáveis com a idéia de atingir a felicidade. Esta busca pela felicidade tem sido o poder motivador detrás de todos os esforços do homem, quer seja no campo temporal como no espiritual. Todas as suas descobertas no domínio da ciência tiveram esta meta em vista. Se hoje, o homem está ansioso para conseguir a supremacia sobre as forças naturais e para subjugá-las visando servir as suas necessidades, é apenas para este propósito. Se, no passado ou mesmo no presente, alguns poucos abandonaram o caminho trilhado pela vasta maioria da humanidade e evitaram buscas mundanas e se retiraram para uma floresta ou para dentro de si mesmos, isto também é devido à sua busca pela felicidade eterna.

             Mas a idéia de felicidade difere de acordo com o gosto e o desenvolvimento interno de cada indivíduo. A maioria da humanidade está satisfeita com a gratificação dos sentidos ou acha a felicidade nela. Este mundo, com seus objetos grosseiros, é tudo em que eles estão interessados. No
Katha Upanishad, Yama descreve com muita capacidade a mentalidade dessas pessoas: “Vivendo em meio dos objetos transientes, estas pessoas ignorantes, considerando-se sábias e de resolução firme, dão voltas e voltas, da mesma forma que um cego conduzido por outro cego. O que está além desta vida é imperceptível para os extraviados e intoxicados com a riqueza; pensando que este mundo é tudo que existe, eles caem sob minha influência repetidas vezes”.[i] Tais pessoas se cercam de objetos que dão prazer, mas são impermanentes; mesmo assim eles acreditam que essas coisas são eternas e imutáveis. E o fato de que eles têm sido capazes de possuí-las, engendra em suas mentes uma ótima opinião de si mesmos, como pessoas capazes e sábias. Assim, embriagados com o vinho da riqueza e do poder eles vagam por este mundo sem nenhuma meta mais elevada em vista. Para estas pessoas, que julgam tudo por suas percepções sensórias, o além é um mito, pois não pode ser captado pelos sentidos. Portanto, acreditando que este é o único mundo que existe, eles mergulham nos prazeres, adquirem o que podem e, como resultado, são atraídos repetidas vezes para ele.
Sri Ramakrishna divide os homens em quatro tipos: Os ligados, os buscadores de liberação, os liberados e os sempre-livres. Ele ilustra esta divisão com um exemplo: “Suponha que uma rede foi jogada em um lago para pescar peixes. Alguns peixes são tão espertos que jamais são presos pela rede. Estes são os sempre-livres. Mas a maioria dos peixes é presa pela rede. Alguns deles tentam se libertar dela, e eles são aqueles que buscam a liberação. Mas nem todos têm sucesso neste esforço. Alguns pulam para fora da rede, fazendo um grande ruído. Então o pescador grita: ‘Veja, lá vai um grande!’ Mas a maioria dos peixes presa na rede não pode escapar nem fazem qualquer esforço para sair. Pelo contrário, eles penetram na lama com a rede em suas bocas e ficam lá quietos, pensando: ‘ Nós não precisamos ter mais medo, estamos totalmente seguros aqui!’ Mas estes pobres peixes não sabem que o pescador irá retira-los com a rede. Estes são como os homens ligados ao mundo”. [ii] De novo, falando sobre felicidade, Sri Ramakrishna disse que existem três tipos: Vishayananda, prazer que se consegue na satisfação dos sentidos; bhajanananda, felicidade que se obtêm pelas práticas espirituais, e Brahmananda, a bem-aventurança que se atinge na realização de Deus. A última não pode ser medida ou comparada com qualquer outra felicidade, ela não pode ser nem mesmo imaginada.


Swami Paratparananda, trecho do artigo em Inglês “The Man in Search of Happiness” publicado na revista “Vedanta for East and West” n°- 159. Leia o artigo completo

domingo, 31 de julho de 2011

Inspiração da Semana

"Permitam que pensamentos positivos, fortes e proveitosos adentrem seus cérebros desde a mais tenra infância. Mantenham-se abertos a tais pensamentos e não àqueles débeis e estagnantes. Todos os poderes do universo são já inerentemente nossos. Nós é que pusemos as mãos diante dos olhos e choramos que está escuro.

Saiba que não existe qualquer escuridão à nossa volta. Retire as mãos e lá estará a luz que sempre existiu, desde o princípio. Jamais houve escuridão, fraqueza nunca existiu. Nós - que somos tolos - choramos que somos fracos. Nós - bobos que somos - gritamos que somos impuros. O ideal de termos fé em nós mesmos nos é da maior ajuda. Se a fé em nós mesmos fosse mais extensamente ensinada e praticada, tenho certeza que a maior parte dos males e misérias que temos se desvaneceria." Swami Vivekananda

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Karma Yoga - O Caminho da Ação

Karma significa, sinteticamente, ação, e Yoga, união. Todo ser humano há de ter um ideal na vida' seja de família, pátria, humanidade ou Deus, e por meio de Karma Yoga ele pode unificar-se e integrar-se em seu ideal. Por isso, toda esta obra gira em torno da maneira como pode e deve cada qual cumprir o seu dever nesse sentido e aumentar sua eficiência e utilidade ' qualquer que seja a sua vocação e objetivo.

Sob o ponto de vista cristão, Karma Yoga interpreta e desenvolve o incisivo pensamento de Tiago: "A fé sem obras é morta". Uma das grandes dificuldades de todos é levar sua teoria à prática, sua crença à realização.

"A palavra karma se deriva do sânscrito kri, fazer; toda ação é karma. Tecnicamente, esta palavra quer dizer: os efeitos das ações. Metafisicamente é usada com o seguinte significado: é o efeito provocado por nossas ações anteriores. Porém em Karma-Yoga só tratamos da palavra karma como eqüivalente de ação. A meta da humanidade é o conhecimento; este é o ideal unívoco da filosofia oriental."

 In Karma Yoga - A educação da vontade - Swami Vivekananda. Ed. Pensamento - Cap. 1

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sejam puros e busquem a paz em Deus

"DENTRO DE UM PALÁCIO de sete portões, vivia um rei a quem um homem pobre implorava uma audiência. O ministro do rei atendeu seu pedido e o conduziu à presença real através dos sete portões. Em cada um dos portões, havia um oficial de plantão ricamente vestido. A cada vez que passava por um deles, o homem pobre perguntava ao ministro se aquele era o rei. O ministro dizia sempre que não, até que passaram pelo sétimo portão. Finalmente, ali estava o rei em todo seu esplendor e beleza. O homem não fez mais nenhuma pergunta, pois reconheceu seu rei. Coisa semelhante acontece com o guru. Assim como o ministro do rei, ele conduz o discípulo através dos diferentes estágios do desenvolvimento espiritual até entregá-lo a Deus.

Saiba, porém, que não existe guru maior do que sua própria mente. Quando a mente tiver sido purificada pelas preces e pela contemplação, ela o conduzirá a partir de seu próprio interior. Até mesmo em seus deveres diários, seu guru interior irá guiá-lo e continuará a ajudá-lo até que sua meta seja alcançada. Sinta um intenso amor pro Deus e a mente permanecerá sempre tranqüila e pura.

A maneira mais fácil de purificar e estabilizar a mente é retirar-se para um lugar solitário, controlar os desejos e praticar a contemplação e a meditação. Quanto mais ocupar sua mente com pensamentos sagrados, maior será seu desenvolvimento espiritual. Assim como uma vaca bem alimentada produz muito leite, assim também a mente nutrida com o alimento espiritual permanecerá imensamente tranqüila. O alimento espiritual é constituído de meditação, preces, contemplação e japa.

Outro meio de estabilizar a mente é deixá-la vagar, mas manter um olhar firme sobre seu rumo. Depois de certo tempo, ela se cansa e volta a procurar a paz em Deus. Se você cuidar de sua mente, ela também cuidará de você." Swami Brahmananda

 O Eterno Companheiro: Vida e ensinamentos de Swami Brahmananda. De Swami Vijoyananda e Swami Prabhavananda, São Paulo, Vedanta: 2011. (p. 226 e 227)

sábado, 25 de junho de 2011

Meditação - o que fazer primeiro?

"O efeito da meditação é inevitável. Se você praticar japa, seja com devoção ou não, seguramente obterá resultados. A devoção é uma consequência disso. Continue suas práticas regularmente por mais algum tempo e encontrará a paz. Quando se pratica meditação até a saúde melhora.

No primeiro estágio, meditar é como estar em guerra com a mente. É preciso muito empenho para controlar a mente e colocá-la aos pés do Senhor. No início, porém, cuide para não sobrecarregar o cérebro. Comece devagar e, gradativamente, vá intensificando seus esforços. Com a prática regular a mente ficará mais estável, e a meditação se tornará mais fácil. Você não sentirá mais nenhuma tensão, mesmo se permanecer longas horas sentado em contemplação.

Sem meditar não se pode controlar a mente e sem controlar a mente não é possível meditar. Se pensarem, porém, 'primeiro devo controlar a mente e depois meditar', jamais obterão êxito. É preciso controlar a mente e meditar simultaneamente."

Exertos do livro: O Eterno Companheiro, Swami Vijoyananda e Swami Prabhavananda, São Paulo, Vedanta: 2011.

domingo, 12 de junho de 2011

Recordações de uma visita abençoada

No período de 4 a 8 de junho/2011 recebemos em nosso Centro a visita de Swami Nirmalatmananda e Brahmachari Shankara. Na oportunidade foram realizadas palestras, meditações, Arati, confraternizações, entrevistas pessoais e o lançamento do livro "O Eterno Companheiro".

"Aquele que conheceu Deus não impõe limites à Sua infinitude. Para ele, Deus não é questão de opinião: Ele é. Ele é ilimitado amor, para além do alcance do intelecto. Aquele para quem Deus, em Sua infinita misericórdia, Se revela, esse conhece e compreende Seus mistérios. Para ele não há nada oculto. As portas do infinito conhecimento se abrem. Quando um homem alcança a iluminação, sabe que ele pertence a Deus e Deus pertence a ele." p. 230

Veja: Fotos do evento

domingo, 5 de junho de 2011

Arati e meditação

Iniciamos nosso ciclo de estudo sobre o Bhagavad Gita com a palestra sobre "A Mensagem do Gita" com Swami Nirmalatmananda e realizamos o primeiro Arati em nosso centro com o Swami e o Brahmachari Shankara.

Nos próximos eventos da programação estão previstos satsanga (perguntas e respostas), entrevistas, Arati, meditação, palestra e lançamento do clássico da literatura espiritual "O Eterno Companheiro". Acompanhe a programação. Lembramos que todos os eventos são abertos e gratuitos.
                                                        Namastê!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Devotos e amigos de Brasília no lançamento do livro em São Paulo

Ramakrishna Vedanta Ashrama - São Paulo
Maio/ 2011
 
Veja mais: Fotos do evento; sobre o livro.

"Cultivem o hábito de recordar a Deus constantemente, seja nos momentos de lazer ou enquanto trabalham. Esse fluxo constante do pensamento em direção a Deus é denominado meditação." p. 295

Programação da Visita de Monásticos da Ordem Ramakrishna


Entrevistas pessoais com o Swami podem ser agendadas com antecedência.
Todos os eventos são abertos e gratuitos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Inspiração da Semana

"O homem não pode realizar nada por si mesmo. Há apenas uma coisa a fazer: orar a Deus, orar sem cessar. Assim poderemos esquecer o ego completamente e ao mesmo tempo recordar, continuamente, que só Deus é real, que apenas Ele é a Verdade. Só então ficaremos livres da ignorância." (Swami Brahmananda)

Sri Ramakrishna costumava dizer: "Quantos amam a Deus como amam a seus parentes? Quantos procuram sequer amá-Lo?"

"A mente foi criada dos três gunas (as qualidades que constituem a natureza psico-física: tranquilidade /sattwa, atividade /rajas e inércia /tamas), que também construíram o mundo exterior. Por isso, a mente ama os pensamentos mundanos. Esta é a verdadeira natureza e o material de que está construída a mente. Só pela graça divina, o homem pode retirar a mente do mundo exterior e mantê-la fixa nos Santos Pés de Deus."

Exertos do livro: O Eterno Companheiro, Swami Vijoyananda e Swami Prabhavananda, São Paulo, ECE: 1981.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Páscoa

Desejamos a você e a todos os seus uma Páscoa abençoada pela presença de libertadora do Cristo Vivo dentro de cada um de nós. Que seus esforços sejam coroados pelas transformações do cotidiano até as grandes transformações da alma.  Namastê!







quinta-feira, 14 de abril de 2011

Trabalho e meditação

"Maharaj*: - Estás obtendo progresso em tuas práticas?

Discípulo: - Maharaj, não disponho de tempo suficiente para elas. Tenho muito trabalho.

Maharaj: - É um erro pensar que a meditação não pode ser praticada por falta de tempo. A causa real é a inquietude da mente.
O trabalho e a meditação devem marchar lado a lado. É muito bom se alguém pode dedicar-se por completo às práticas espirituais. Mas, quantos são os que podem fazer isso? Dois são os tipos de homens que podem sentar-se quietos sem trabalhar. Um é o idiota que é inerte em demasia para ser ativo. O outro é o santo que foi além de toda atividade. Como diz o "Gita": - "Sem ação ninguém pode alcançar a inação." A atividade é um meio para alcançar o estado de meditação. Mesmo aqueles que abandonaram todo o trabalho e levam uma vida ascética, têm que dedicar algum tempo para obter o necessário para viver.

Em vez de trabalhar para ti, trabalha para o Senhor. Dedica-te a teu trabalho, pensando que o fazes como adoração ao Senhor. Se puderes trabalhar com essa idéia, teu trabalho não te escravizará. Além disso, far-te-á um bem físico, intelectual, moral e espiritual. Oferece corpo e alma aos pés do Senhor.

Entrega-te a Ele por completo, sê Seu servidor e dize-lhe: - "Dou-te meu corpo, minha alma e tudo que tenho. Faze deles o que Tu quiseres; eu estou pronto para servir-Te com todas as minhas forças." Se puderes fazer isso, a responsabilidade eu bem-estar espiritual ficará com Ele. Não necessitarás preocupar-te mais; mas tens que entregar-te com toda a alma. Não o faças com dúvida em teu coração, "tomando o Nome do Senhor para cruzar o rio e ao mesmo tempo, levantando as roupas para que não se molhem." *

O trabalho e a adoração devem ser feitos juntos. ... A mente que está acostumada a seguir seus próprios impulsos, fará o mesmo durante o tempo da meditação. "
* Swami Brahmananda, filho espiritual de Sri Ramakrishna e primeiro presidente do Ramakrishna Mission.

* É uma referência à parábola de Sri Ramakrishna sobre a leiteira e o sacerdote brahmin. Uma leiteira fornecia leite a um sacerdote brahmin que vivia no outro lado de um rio. Devido às irregularidades no serviço dos barcos, ela não podia entregar-lhe o leite, com pontualidade, todos os dias. Uma vez, sendo repreendida por sua demora, a pobre mulher disse: - "Que posso fazer, senhor? Tenho que esperar muito tempo pelo barqueiro." O sacerdote repreendeu-a: - "Mulher!, cruza-se o oceano da vida repetindo o nome de Deus; e tu não podes cruzar este pequeno rio?" A mulher, em sua simplicidade, acreditou no sacerdote. A partir do dia seguinte, começou a cruzar rio, murmurando o nome de Deus. Um dia, o sacerdote perguntou-lhe como é que já não se atrasava como antes.

A mulher respondeu: - "Cruzo o rio, repetindo o nome do Senhor, como me mandaste." O sacerdote não podia crer e quis ver, por si mesmo, como a mulher cruzava o rio. A mulher levou-o com ela e começou a cruzar o rio, repetindo o nome do Senhor, enquanto caminhava sobre as águas. Mas ao olhar para trás, viu o sacerdote que a seguia com medo e que estava erguendo as roupas. "Como é isso", disse-lhe, "repete o nome do Senhor e, ao mesmo tempo, levanta as roupas para que não se molhem? Realmente, o senhor não confia em Deus."

Excertos do livro: O Eterno Companheiro, Swami Vijoyananda




domingo, 3 de abril de 2011

Equidade e Igualdade na espiritualidade

"A igualdade para todos é a essência dos princípios morais da Vedanta".

"A idéia de privilégio é a maldição da vida humana. ... a idéia de privilégio começa sendo exercida, de maneira brutal, pelos fortes sobre os fracos. Há o privilégio da riqueza: o homem que tem mais dinheiro quer ter regalias sobre o que tem menos. Existe o privilégio, ainda mais sutil e poderoso, do intelecto: o homem que tem mais conhecimento exige maiores prerrogativas. Finalmente, o pior de todos os privilégios, por ser o mais tirânico, é o da espiritualidade; os que pensam conhecer mais sobre Deus e a vida espiritual, reclamam para si as mais altas regalias.

Ninguém pode seguir a Vedanta e ao mesmo tempo admitir que qualquer tipo de privilégio fisico, mental ou espiritual seja exercido; de maneira categórica, não se admite privilégio para ninguém. O mesmo poder está dentro de cada pessoa; alguns o expressam mais, outros menos. Temos o mesmo potencial. Quem pode exigir privilégios?

A tarefa da Advaita é extinguir os privilégios.

... O mundo subjetivo governa o objetivo. Mude a causa e o efeito necessariamente mudará. Purifique-se e o mundo necessariamente se purificará. Agora, mais do que nunca, precisamos desses ensinamentos. Cada vez mais nos ocupamos de nosso vizinho e cada vez menos nos ocupamos de nós mesmos. O mundo mudará se mudarmos; se nos purificarmos o mundo se purificará. Eis a questão: por que ver o mal nos outros?

O sujeito mudou, então o objeto necessariamente mudará. Assim fala quem pratica a Vedanta. Quando chegarmos a este maravilho estado de igualdade, de equanimidade, haveremos de rir do que consideramos as causas da miséria e do mal. Na Vedanta isso se chama "alcançar a liberdade". O sinal de que nos aproximamos da liberdade é a manifestação cada vez maior de equidade e igualdade.



Assim, eliminando o privilégio e tudo em nós que o reforça, coloquemos em prática o conhecimento que permeará o sentimento de igualdade por toda a humanidade. Você se julga superior ao homem comum por usar uma linguagem mais refinada. Lembre-se que ao pensar dessa forma você não está caminhando para a liberdade, mas forjando mais um grilhão para seus pés. Acima de tudo, se a soberba da espiritualidade possuí-lo, infeliz de você. É a pior escravidão que existe. Nem a riqueza, nem qualquer outra coisa que possa aprisionar o coração humano, consegue oprimir tanto a alma. "Sou mais puro que os outros" é o pior pensamento que pode penetrar no coração humano. De que maneira você é puro? O Deus em você é o Deus em todos. Se você não tem conhecimento disso, não sabe nada. Como pode haver diferença? Tudo é um só. Cada criatura é templo do Altíssimo. Se você pode perceber isso, ótimo. Caso contrário, a espiritualidade ainda não chegou a você."

Swami Vivekananda, O que é Religião, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2004, p.68-74 (excertos)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Meditação: Dicas de Vivekananda

"Sentemo-nos numa postura ereta. Enviemos uma corrente de pensamento elevado a toda criação. Mentalmente, repetiremos: 'Que todos os seres sejam felizes; que todos estejam em paz; que todos sejam bem-aventurados.' Façamo-lo para o leste, sul, norte e oeste. Quanto mais o praticarmos, melhor nos sentiremos. Descobriremos, por fim, que a maneira mais fácil de nos tornarmos felizes é saber que os outros são felizes e o melhor meio de nos tornarmos saudáveis é ver que os outros são saudáveis.


Feito isso, os que acreditam em Deus devem orar - não por dinheiro, saúde, não pela obtenção do céu. Oremos por conhecimento e luz; toda outra oração é egoísta. A seguir, pensemos que nosso corpo é firme, forte, saudável; é o melhor instrumento que possuímos. Pensemos nele como tão forte quanto o diamante, e que, com o seu auxílio, cruzaremos o oceano da vida. A liberdade jamais será alcançada pelos fracos. despojemo-nos de toda fraqueza. Digamos a nosso corpo que ele é forte, digamos à nossa mente que ela é vigorosa e tenhamos fé ilimitada e esperança em nós mesmos."


Swami Vivekananda, Raja Yoga, Rio de Janeiro: Vedanta, 1967, p. 55.

Leia também:
Meditação e comentários
Meditação: para conhecer a verdadeira natureza e não para desenvolver poderes
Meditação: A hora de meditar
Meditação com ou sem objeto

sábado, 19 de março de 2011

Sri Ramakrishna 175o. aniversário de nascimento

Sri Ramakrishna (1836-2011), o grande mestre da vedanta universal, considerado por muitos como uma personificação de Deus na era moderna, dava muita importância a levar-se uma vida espiritual, a praticar nesta mesma vida. Devemos recordar que somos criadores de nosso próprio destino. Na vida espiritual do praticante, a harmonia e a paz, a solidariedade e a igualdade prevalecerão naturalmente.

Cerca de 300 mil pessoas visitaram Belur Math por ocasião da celebração de seu 175o. aniversário de nascimento.
Sri Ramakrishna - Arati

Impulso para a felicidade eterna

"A mente humana possui um impulso para a felicidade e existência eterna. A iluminação total da mente, por meio de métodos subjacentes de concentração e meditação, evidencia a grandeza da mente por sua característica integradora e unificadora."

Swami Akhilananda, Psicologia Hindu. Buenos Aires: Paidos, 1964.

"O que o homem quer é a felicidade eterna, só que ele não sabe onde e como consegui-la. Ele confunde os prazeres sensórios pela bem-aventurança pura. Por isso ele deseja ter as coisas atrativas deste mundo e do além. Riqueza, filhos, fama, e centenas de outras coisas deste mundo o atrai e ele corre atrás delas. Ele consegue algumas e é feliz por algum tempo, outras fogem de seu alcance e ele sente o sofrimento, enquanto algumas outras permanecem em seu poder por algum tempo e então subitamente desaparecem. Tais perdas o fazem sofrer. Então novamente, tão logo ele ganha algumas coisas cobiçadas, novos desejos surgem e o tornam inquieto. E ele descobre, para sua tristeza, que os sentidos não podem ser pacificados pelo gozo. Pelo contrário, seus desejos aumentam desta forma. Assim sua vida torna-se uma corrida interminável atrás destes prazeres passageiros. Neste caminho ele jamais atinge a satisfação. O sofrimento, nascido dos desejos insatisfeitos e a perda forçada das coisas desejadas, o seguem a cada passo. E isto continua vida após vida. Mesmo o mundo superior e mais sutil onde ele consegue apenas prazeres não dá a ele a eterna bem-aventurança. Um homem de ações meritórias pode ir lá após a morte e desfrutar de intenso prazer. Mas isto é apenas por um tempo. Depois disso ele tem que voltar e nascer novamente nesta terra. Na verdade, enquanto o homem é dirigido pelos desejos, nem este mundo ou o próximo pode dar a ele a eterna bem-aventurança. O desejo é verdadeiramente a corrente que o prende à roda do nascimento e da morte.”
Swami Yatiswarananda, "How to Seek God", pág. 1.

quarta-feira, 9 de março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Do egoísmo ao amor universal

"Dizem alguns que o egoísmo é o único poder motivador por trás das atividades humanas. É também amor, aviltado quando se particulariza. Quando penso em mim, abrangendo o Universal, não estou pensando de maneira egoísta; mas quando, por engano, penso que sou uma insignificância, meu amor torna-se particularizado e estreito. O engano consiste em tornar estreita e contraída a esfera do amor. Tudo o que existe no universo tem origem divina e merece ser amado. Contudo, é preciso ter em mente que o amor ao todo inclui o amor às partes."

Swami Vivekananda ,  "O que é Religião", Ed. Lótus do Saber.
"Só a abençoada loucura do divino amor
pode curar para sempre
a doença do mundo, da qual padecemos."

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meditação e o Gayatri Mantra

"Asssim meditavam os hindus dos tempos védicos. Para eles, a meditação era um hábito que fazia parte de suas práticas religiosas. Repetiam com grande concentração as palavras sagradas do Gayatri, o mantra mais antigo e conhecido da Índia que, ainda hoje, é recitado diariamente. 

Alguns sábios constataram que a meditação já era conhecida desde a pré-história. Podem ser encontradas esculturas muito antigas que representam um homem sentado, com o corpo ereto, em postura de meditação." (Swami Ritajananda, “A prática da meditação”, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2006, Cap. 2)

Tradução simplificada do Gayatri Mantra, Rig Veda

“Possamos nós meditar
no Ser adorável e resplandecente
que deu origem ao universo!
Possa Ele dirigir nossa inteligência para a Luz!”

Sânscrito

 Em Devanagari:
ॐ भभवसवः । तत सववतवरणय । भरो दवसय धीमहि । धधयो यो नः
पचोदयात ॥

 Em IAST:
Om bhūr bhuvar svar
tat savitur varenyam
bhargo devasya dhīmahi
dhiyo yo nah prachodayāt


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Meditação: para conhecer a verdadeira natureza e não para desenvolver poderes

"Patânjali escreveu um livro sobre os poderes ocultos, chamados siddhis, na qual ele explica que, para nós, são um obstáculo a ser superado. Da mesma forma que Sri Ramakrishna, ele nos previne a respeito dos perigos que implicam esses poderes. Podemos conquistar poderes miraculosos, mas não devemos nos preocupar com eles e, sim, nos afastar deles. É preciso ter consciência de que são um empecilho que deve ser superado. Se você compreende como todos os fenômenos ocultos são produzidos, não irá mais procurá-los.

Patañjali Estátua em Pantanjali Yog Haridwar Peeth
Fonte: Wikipedia 

Os poderes não trarão paz, nem felicidade, pois os objetos desse mundo não têm essa capacidade. Somente ao encontrar sua verdadeira natureza você obterá alegria e grande contentamento.

Os iogues procuram dominar sua própria natureza para não serem mais escravizados por ela. Os sofrimentos deste mundo provêm dessa sujeição. A natureza pode usar qualquer coisa para me atrair, mas se estou consciente de que sou eu quem toma a decisão sobre o que fazer, ela não será mais uma tentação para mim. O escravo não gosta da escravidão e busca liberdade; nossa alma também. Quando a encontramos, tudo o que acontece à nossa volta perde a importância, até mesmo os maiores milagres."

Swami Ritajananda, A prática da meditação, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, p. 69 e 70

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meditação: A hora de meditar

"Você deve praticar pelo menos duas vezes por dia, e a melhor ocasião é pela manhã e à tarde. Quando a noite se transforma em dia e o dia em noite, segue-se uma fase de relativa calma. De manhã bem cedo e à tardinha são os dois períodos de tranqüilidade. Seu corpo terá uma igual tendência de se acalmar nessa hora. Devemos aproveitar essa condição natural e começar a prática. Adote como regra não comer antes de ter praticado; se fizer isso, a aguda força da fome quebrará sua preguiça. Na Índia ensinam as crianças a não comerem antes de terem meditado ou feito adoração e isto torna-se natural para elas, com o decorrer do tempo; um menino não sentirá fome antes de se banhar e praticar." (I. 144-45)   Swami Vivekananda

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Inspiração da Semana

“Quando o homem vê Brahman em sua mente e O percebe em todas as suas diferentes atividades, a isto se chama pranayama.
Quando o homem está convencido de que o mundo é ilusório, a isto se chama expiração.
Quando está claro que eu sou Brahman, a isto se chama inspiração.
Quando essa idéia está fortemente estabelecida no homem, a isto se chama retenção do alento.”
Tejabindu Upanishad

"O verdadeiro  yogi, deixando os objetos exteriores influenciar só o seu exterior e não a sua alma, abre as vistas interiores à Luz Eterna e une a sua respiração externa com a interna, em ritmo de harmonia."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O coração do devoto é a morada de Deus

"O Mestre continuou: “Mas não se deve esquecer que o coração do devoto é a morada de Deus. Ele habita, sem dúvida, em todos os seres, mas Se manifesta de forma especial no coração do devoto. Um senhor de grandes terras pode, de vez em quando, visitar todos os lugares de sua imensa propriedade, mas dizem que geralmente só é encontrado numa determinada sala de sua casa. O coração do devoto é a sala de Deus.

“Aquele que é chamado de Brahman pelos jnanis, é conhecido como Atman pelos yogis e Bhagavan pelos bhaktas. O mesmo Brahmin é chamado de sacerdote quando faz o culto no templo e de cozinheiro, quando prepara suas refeições. O jnani, trilhando o caminho do Conhecimento, sempre discrimina sobre a Realidade, dizendo: ‘Isto não, isto não.’ Brahman não é nem ‘isso’ , nem ‘aquilo’. Ele não é nem o universo, nem os seres humanos. Discriminando dessa maneira a mente torna-se estável. Logo ela desaparece e o aspirante entra em samadhi. Esse é o Conhecimento de Brahman. É a certeza firme do jnani de que, somente Brahman é real e o mundo ilusório. Todos esses nomes e for-mas são ilusórios como um sonho. O que Brahman é, não pode ser descrito. Não se pode nem mesmo dizer que Brahman é uma Pessoa. É essa a opinião dos jnanis, seguidores da filosofia Vedanta.

“Mas os bhaktas aceitam todos os estados de consciência. Consideram o estado de vigília como real, também. Não consideram o mundo ilusório, como um sonho. Dizem que o mundo é uma manifestação do poder e da glória de Deus. Deus criou tudo – céu, estrelas, lua, sol, montanhas, oceanos, homens e animais. Tudo isso constitui Sua glória. Está dentro de nós, em nossos corações. Também, Ele está no exterior. Os devotos mais adiantados dizem que Ele Próprio tornou-se tudo isso – os vinte e quatro princípios cósmicos, o universo e todos os seres vivos. O devoto de Deus quer comer açúcar e não, tornar-se açúcar. (Todos riem).

“Sabem como o amante de Deus se sente? Sua atitude é: ‘Ó Deus, Tu és o Amo, eu sou Teu servo. Tu és as Mãe, eu sou Teu filho.’ Ou então: ‘Tu és Pai e Mãe. Tu és o Todo, eu sou a parte.’ Ele não gosta de dizer: ‘Eu sou Brahman.’

“O yogi quer realizar o Paramatman, a Alma Suprema. Seu ideal é a união da alma individual com a Alma Suprema. Retira a mente dos objetos dos sentidos e procura concentrar-se no Paramatman. Por conseguinte, no primeiro estágio de sua disciplina espiritual, retira-se para um lugar isolado com atenção concentrada, pratica meditação numa postura estável.

“Mas a Realidade é una e a mesma. A diferença está apenas no nome. Aquele que é Brahman é, na verdade, Atman, e também, Bhagavan. É Brahman para os seguidores do caminho do Conhecimento, Paramatman para os yogis e Bhagavan, para os amantes de Deus.”

O barco navegava para Calcutá, mas os passageiros com os olhos fixos no Mestre e com os ouvidos nas suas palavras impregnadas de néctar divino, estavam inconscientes de todo movimento. Dakshineswar com seus templos e jardins, havia ficado para trás. Os remos batiam nas águas do Ganges, criando um som murmurante, mas os devotos estavam indiferentes a tudo isso. Encantados, olhavam para o grande yogi, a face iluminada por um sorriso divino, o semblante irradiando amor, os olhos brilhando de alegria – um homem que a tudo renunciara por Deus e que não conhecia nada a não ser Deus. Incessantes palavras de sabedoria fluíam de seus lábios.

Mestre: “Os jnanis, que seguem a filosofia não-dualista da Vedanta, dizem que os atos de criação, preservação e destruição, o próprio universo e todos os seres vivos, são manifestações de Shakti, o Poder Divino. Se discriminarmos, veremos que tudo isso é ilusório como um sonho. Só Brahman é a Realidade, tudo o mais é irreal. Mesmo a Própria Shakti não tem substância, como um sonho.

“Mas embora vocês discriminem toda a vida, a não ser que estejam estabelecidos em samadhi, não poderão ir além da jurisdição de Shakti, mesmo que digam: ‘Estou meditando’ ou ‘Estou contemplando’, ainda assim, estariam no domínio de Shakti, dentro de Seu Poder.

“Assim Brahman e Shakti são idênticos. Se aceitarem um, têm que aceitar o outro. É como o fogo e seu poder de queimar. Se virem o fogo, têm que reconhecer também, seu poder de queimar. Não podem pensar em fogo, sem seu poder de queimar, nem podem pensar no poder de queimar, sem o fogo. Não se pode conceber os raios de sol sem o sol, nem se pode conceber o sol sem os raios.

“Como é o leite? Ó, vocês dizem que é algo branco. Não podem pensar em leite sem sua brancura e também, pensar na brancura sem pensar no leite.

“Assim, não se pode pensar em Brahman sem Shakti, ou em Shakti sem Brahman. Não se pode pensar no Absoluto sem o Relativo, ou no Relativo sem o Absoluto.

“O Poder Primordial está sempre em ação . Está sempre criando, preservando e destruindo, como um jogo. Este Poder é chamado Kali. Kali é na verdade, Brahman e Brahman é de fato, Kali. É uma e mesma Realidade. Quando pensamos n’Ela como inativa, quer dizer, não engajada na criação, preservação e destruição, A chamamos Brahman, mas quando Ela está ocupada nessas atividades, A chamamos Kali ou Shakti. A Realidade é uma e a mesma: a diferença está em nome e forma.

“É como a água, chamada em diferentes línguas por nomes diferentes, como ‘jali’, ‘pani' e assim por diante.
Há três ou quatro ghats no lago. Os hindus bebem água num lugar, chamam-na ‘jal’. Os muçulmanos num outro lugar, chamam-na ‘pani’. E os ingleses num terceiro lugar, ‘water’. Os três nomes denotam uma e mesma coisa, a diferença está somente no nome. De algum modo, alguns dirigem-se à Realidade como ‘Alá’, alguns como ‘Deus’, alguns como ‘Brahman’ ou ‘Kali’, e outros por nomes como ‘Rama’, ‘Jesus’, ‘Durga’, ‘Hari’."

Fonte: Evangelho de Sri Ramakrishna, Vol. I, Cap. V,