quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A meditação como constante lembrança de Deus

"A prática da meditação é necessária no caminho da Realização. Que é, em realidade, essa meditação acerca da qual ouvimos falar com tanta frequência? É a prolongada continuação de um só pensamento. Devemos escolher um tema de pensamento, o mais adequado para cada um de nós e prosseguir, sem interrupção, até alcançar o seu fim. Para o principiante é difícil esse processo e requer uma prática diária e sistemática. A mente de um principiante é sempre caprichosa, inquieta, indisciplinada; recusa agarrar-se a um único pensamento por muito tempo, ou melhor, é incapaz de fazê-lo.

Existe também outra razão poderosa que impede a mente do principiante em permanecer tranquila e concentrada; ainda que tenha escolhido, ele próprio, o tema de sua meditação e mesmo que esse tema seja o mais apropriado, não é ainda o predileto, pois o gosto demora em formar-se. Por essa razão, enquanto medita, enquanto busca conscientemente fixar o pensamento nessa idéia de suma importância, vê o principiante, com frequência e total desconcerto, que surgem em si mesmo outras mil idéias diferentes, pugnando umas com as outras, fazendo-o esquecer do tema da meditação.

Mas nem mesmo então deve-se desesperar. É então que se torna mais necessário afugentar as idéias cansativas que testam nossa mente e pretendem forçar-nos a abandonar o caminho da Sabedoria, o caminho da Libertação. Nossa meditação deve ser um sereno fluir de pensamentos, semelhante ao fio de azeite, contínuo e ininterrupto, que cai de um cântaro.

Praticando com paciência, uma vez e outra, certamente lograremos o resultado. Também pode-se interpretar a meditação como uma constante lembrança, sinônimo de devoção. Pensar sempre em Deus, recordar a todo instante que Ele é a Alma de nossa alma, nosso verdadeiro ser, nossa consciência pura, constitui a mais alta devoção."
Swami Vijoyananda, A Religião do Homem, Rio de Janeiro: Vedanta, p. 107 e 108.

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