quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meditação com ou sem objeto

Excertos de Swami Vivekananda

"Swami Shuddananda: Qual é a real natureza da meditação?

Swamiji: Meditação é a focalização da mente num objeto. Se a mente consegue a concentração num objeto, ela pode se concentrar em qualquer outro objeto.

Discípulo: As escrituras mencionam dois tipos de meditação — uma tendo algum objeto e a outra sem objeto. O que significa tudo isto e qual das duas é superior?

Swamiji: Primeiramente, a prática da meditação deve ser feita sobre algum objeto diante da mente. Numa certa época eu costumava concentrar minha mente em algum ponto preto. No fim, durante aqueles dias, eu não conseguia mais ver o preto, nem notar que o ponto estava diante de mim — a mente não mais existia — nenhuma onda de pensamento aparecia, como se tudo fosse um oceano sem nenhuma lufada de ar. Naquele estado eu experimentava relances de uma verdade que ultrapassava os sentidos. Assim, penso que a prática da meditação mesmo com algum trivial objeto externo leva à concentração mental. Mas é verdade que a mente facilmente alcança a quietude quando a gente pratica a meditação com algo no qual nossa mente está mais apta para se fixar. Esta é a razão pela qual neste país (Índia) fazemos tanto culto a imagens de deuses e deusas. O real objetivo é colocar a mente sem funcionamento, mas isto não pode ser conseguido, a menos que alguém fique absorvido nalgum objeto.

Discípulo: Mas, se a mente fica completamente absorta e identificada com algum objeto, como poderá nos dar a consciência de Brahman?

Swamiji: Sim, embora a mente primeiro assuma a forma do objeto, mais tarde, a consciência do objeto se esvanece. Então, somente permanece a experiência desse estado." (VI. 486-87)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Inspiração da Semana


"Que é todo o apego mundano comparado com o amor que Deus sente por tua alma?"
J.F.Alexander, Nas horas de Meditação, Ed.Pensamento, p.86.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Celebração do Durga Puja

Venha celebrar conosco o Durga Puja, uma das principais festividades do calendário religioso hindu. Teremos cantos védicos, hinos devocionais, leituras inspiradoras e explicativas do simbolismo de Durga, meditação, oferenda de flores no altar, seguida de um gostoso lanche de confraternização onde também comemoraremos 1 (um) ano de existência oficial do grupo do abençoado Sri Ramakrishna Paramahansa em Brasília.

16/10 – SÁBADO -  Celebração do Durga Puja - das 18h às 20h30
Durga — Literalmente, “A Incompreensível”; um dos nomes da Mãe Divina, consorte de Shiva. Sua forma com dez braços, montada num leão, representa seu grande poder. Ela destrói o demônio da ignorância, enquanto abençoa com o amor divino e o conhecimento aqueles que anseiam pela realização de Deus. Durga — Literalmente, “A Incompreensível”; um dos nomes da Mãe Divina, consorte de Shiva. Sua forma com dez braços, montada num leão, representa seu grande poder. Ela destrói o demônio da ignorância, enquanto abençoa com o amor divino e o conhecimento aqueles que anseiam pela realização de Deus.

Durga Puja — Festa religiosa anual dedicada à Mãe. Ocorre no outono, fazendo-se a cada ano uma nova imagem para o culto. Em Bengala, os cinco dias de celebrações iniciam-se pela súplica a Durga, para que desça de sua morada celestial e venha à terra; após os principais rituais de adoração por três dias, no quinto dia a imagem é submergida em um rio ou no oceano.

Inspiração da Semana

“Este Ser (Self) não pode ser conhecido pelos fracos, nem por aqueles que se esquecem de lhe prestar a devida atenção. Similarmente não pode ser conhecido através do trabalho duro, das ações, quer sejam físicas, quer sejam mentais, se não houver renúncia. Mas a pessoa sábia que utiliza estes métodos conjuntamente, e também trabalha duro, pode vir a conhecer este Ser, entrar na morada de Brahman, e se  fundir no todo.”

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Inspiração da Semana

“Cada pensamento é uma onda que se ergue e se desfaz. Os pensamentos mudam a cada instante e são substituídos por novos pensamentos, ora intensos, ora insignificantes, assim como as ondas do mar podem ser grandes ou pequenas.
Isso acontece dia e noite com todos. Por causa dessas ondas contínuas, jamais temos verdadeira consciência do que é a vida real. Quando conseguimos acalmar essas ondas, a mente se transforma num oceano tranqüilo e começamos a ver as coisas de modo diferente. A partir desse momento, atingimos um estado muito elevado.
... Inicialmente, devemos considerar o fato de que nossa mente está sempre agitada e em atividade constante. A prática da meditação deve por um fim a essa situação, fazendo com que cessem por completo as contínuas ondas de pensamentos. Para isso é necessário perseverar, apesar de todas as dificuldades que existem para uma prática adequada da meditação. Nos Yogas Sutras, Patânjali escreveu: “Alguns jamais conseguem acalmar-se. Estão sempre agitados e não permanecem tranquilos nem mesmo por alguns instantes”.
No Bhagavad Gita, Arjuna diz também:
Tu me ensinaste a yoga da equanimidade. Contudo, em razão da natureza agitada da minha mente, não consigo permanecer nesse estado por muito tempo.
Realmente, ó Krishna, a mente é sempre inconstante, turbulenta e rebelde. Ela me parece tão difícil de controlar como o próprio vento. (VI:33-34)

Como acabei de dizer, nós não estamos separados dos pensamentos, nós nos identificamos sempre com eles. Esse é o verdadeiro problema. A identificação com os pensamentos cria todo tipo de obstáculo e provoca muitas reações. Algumas vezes nos sentimos felizes, outras infelizes; isso se deve unicamente a nossos pensamentos que mudam em consequência de acontecimentos agradáveis ou desagradáveis. Somos influenciados por eles e, por isso, agimos de um modo ou de outro. Segundo a orientação de Swami Vivekananda, a primeira etapa para a meditação é você se transformar na testemunha de seus pensamentos. Faça isso, preste atenção em seus pensamentos na qualidade de simples testemunha, você de um lado e seus pensamentos de outro. Talvez seja algo difícil de conseguir, mas o esforço é imprescindível."
 Swami Ritajananda,  A Prática da Meditação, Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2006, p. 31-33.