terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Awake! Levante, desperte e não pare até alcançar a meta!

O poder do toque vigoroso das palavras de Swami Vivekananda (1863 - 1902) ultrapassa o tempo.... e continua convidando-nos para o despertar interior e para servir o próximo. Com base no lema do Katha Upanishad ele insistia: "Levante, desperte, e não pare até alcançar a meta!" (Arise, awake, and stop not till the goal is reached). Em 4 de julho de 1902, Swami Vivekananda deixou conscientemente seu corpo em estado de samadhi (êxtase espiritual). Um legado de ensinamentos, canções e bênçãos se perpetuaram a partir de sua missão no mundo. Ele impactou os EUA, sendo aclamado como o "monge do direito divino", por ser inclusivo e falar em nome da harmonia das religiões no 1o Parlamento Mundial das Religiões ocorrido em Chicago em 1893. Sister Nivedita teve um papel muito importante na concretização de seus ideais. 

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"Awake, awake, great ones! The world is burning with misery. Can you sleep? Let us call and call till the sleeping gods awake, till the god within answers to the call. What more is in life? What greater work? The details come to me as I go. I never make plans. Plans grow and work themselves. I only say, awake, awake!" --Vivekananda
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Swamiji nasceu em 12 de janeiro de 1863. Em 1984 o governo da Índia declarou e decidiu observar anualmente esse dia como o Dia Nacional da Juventude. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

O Espírito Infinito em nós, a Alma de nossas almas...

"Um filho perguntou ao pai: 'Mestre, fale-me sobre Brahman'. 
E o pai respondeu: 'Compreenda Aquele de onde todas as coisas são provenientes, por quem vivem as coisas e para onde as coisas regressaram - este é Brahman'. (Taittirīya Upaniṣad, 3. 1. 1)

Em nossas escrituras devocionais (bhakti) chamamos Brahman por vários nomes como Narāyāṇa ou Kālī ou Śiva . Em Vedānta chamamos Īśvara ou Sat- Cit-Ānanda, Existência-Consciência-Felicidade Infinitas. Ele habita nosso ser como o Espírito de nossos espíritos. E nós também habitamos Nele.

Devemos sentir, pelo menos, a proximidade dele. Se nós não podemos sentir Sua proximidade, devemos tentar desenvolver a consciência de que ele está mais perto do que o mais próximo, que nos é mais caro que o mais querido.

Como já disse, para tudo isto precisamos ter a correta concepção de Deus. Mas Deus é vasto demais para a nossa concepção. Dou um exemplo: Somos como pequenas bolhas. O oceano é muito grande até mesmo para a nossa concepção. Então o que devemos fazer? Devemos encontrar algumas ondas potentes e nos deixar mover em direção a elas, nos agarrarmos a elas e através delas, no decorrer do tempo, teremos uma ideia do próprio oceano. 

Similarmente, começamos nossa viagem espiritual com uma onda grande como uma montanha: Nosso Iṣṭa Devatā. Nós O adoramos, oramos a Ele, e através de dele, chegamos a ter uma consciência mais elevada e uma concepção mais ampla da realidade. O Iṣṭa Devatā nos diz: 'Olhe aqui. Quer sejamos uma onda poderosa ou uma pequena bolha, cada um de nós tem o oceano infinito por detrás de si mesmo.' Quando chega o momento apropriado, Ele nos revela a verdade mais elevada, revela-nos que Ele mesmo não é outro senão o Espírito infinito."

Fontes: 
Texto - Swami Yatiswarananda, monge da Ordem Ramakrishna, Livro Meditation and Spiritual Life
Imagem - Jandir Carlos Welner, Centro Ramakrishna Vedanta Curitiba

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ORIENTE E OCIDENTE, O SEGREDO ESTÁ EM COMBINAR O MELHOR DE AMBOS

Swami Vivekananda (1863-1902), o discípulo mensageiro de Sri Ramakrishna, antes de ir para os Estados Unidos, viveu como monge errante, percorrendo a Índia de norte a sul. Foi nesse período que começou a compreender qual era a fonte secreta da força de seu país. Observou que, apesar das condições miseráveis de pobreza e ignorância em que vivia e de todos os males que isso lhe acarretava, o povo ainda se mantinha firmemente arraigado aos antigos ideais da vida religiosa. O coração de Swamiji vibrava de orgulho pela grandeza espiritual de seu povo e sofria por seu desamparo material. Ao chegar ao ocidente, encontrou exatamente o inverso. De um lado, o conforto material, a prosperidade, a educação avançada e todas as conquistas do intelecto humano. Do outro, a carência espiritual, a falência em reconhecer o único propósito da vida, que é a revelação da presença de Deus no homem. 

Swamiji constatou que o ocidente não fora capaz de aceitar os ideais de Jesus Cristo de todo coração. Percebeu que a civilização perfeita consiste em combinar e harmonizar as generalidades do oriente e do ocidente. Em termos filosóficos, seria uma combinação da vida ativa com a vida contemplativa.

Assim que voltou à Índia, Swamiji conversou com seus irmãos-discípulos e deu uma nova expressão aos ideias propostos por Sri Ramakrishna.
- Não basta alguém dedicar a vida inteira à realização de Deus, apenas para si próprio - disse Swamiji. Vocês devem viver também pelo bem e a felicidade de todos.

Swamiji desejava que seus irmãos combinassem a vida contemplativa com o serviço à humanidade. Assim nasceu a organização conhecida pelo nome de Ramakrishna Mission.
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Fonte: O Eterno Companheiro: Vida e Ensinamentos de Swami Brahmananda. p. 101/102

sábado, 13 de agosto de 2016

O que se entende por perfeição divina?

"Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus."(Mateus 5:48; 6:8)

... e, o que se entende por perfeição divina? Uma vez que nossa mente se circunscreve num mundo de relatividade - dentro do tempo, do espaço e da causalidade - não temos condição de saber o que seja esta perfeição, porque ela é absoluta. Temos uma vaga ideia de que ela se refere a um estado de plenitude, de paz permanente e de realização. Todo ser humano deseja encontrar a realização e a perfeição - em suas relações com outros seres humanos, em seu trabalho, em cada segmento da vida. Todavia, ao atingir os objetivos que o mundo tem a oferecer, não se sente ainda satisfeito. 

Podemos gozar de alguns prazeres e sucessos. Mas, esquecemos sempre de que eles são sempre passageiros. Se aceitamos os prazeres e o sucesso, devemos estar prontos a aceitar também a dor e o fracasso. 

Kapila, filósofo da Índia antiga, expressou de forma negativa a perfeição, como "a cessação completa da desolação". Os sábios védicos procuram exprimi-la positivamente, como Sat, a vida imortal; Chit, o conhecimento infinito, e Ananda, o amor e o êxtase eternos (por inconsciente e mal-orientado que possa ser) de encontrar Sat-chit-ananda - em outras palavras, a realidade suprema, Deus. Mas, desde que a maioria de nós não tem consciência de que a finalidade real da vida é encontrar Deus, continuamos a repetir as mesmas alegrias e tristezas indefinidamente. Gastamos nossa energia em realizações efêmeras, buscado recompensa infinita no que é finito. 

Somente após passarmos por muitas experiências de prazeres e de dor, ocorre-nos o discernimento espiritual. Começamos então a ver que nada neste mundo pode dar-nos satisfação duradoura. Aí entendemos que o desejo de felicidade permanente, de perfeição, só pode ser satisfeito na verdade eterna de Deus.
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Trechos do livro O Sermão da Montanha segundo o Vedanta, Swami Prabhavananda, São Paulo: Pensamento, 1986, p. 73/4.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Rumo à Verdade...

"Devemos seguir em direção à Verdade. Existem muitos enfoques para ela. A alma está seguindo uma certa tendência evolutiva, e algumas vezes se eleva e outras vezes se rebaixa, mas o resultado líquido, ao final, será o progresso. Deve haver um sistema em nosso movimento. Nossas ideias devem ser claras e sistematizadas. Elas podem ser infantis no início, mas não devem ser nebulosas ou indefinidas. Nossa concepção do Divino deve crescer mais e mais conforme avançamos.

O primeiro passo é descobrir onde nós estamos. Descobrir nossa relação para com Deus, a alma e o universo. Para começar, partamos de onde nos encontramos e cumpramos nossas obrigações do dia a dia. Nosso conceito de obrigação evolui conforme nós evoluímos, porém a pureza e a devoção a Deus são fundamentais. Devemos desenvolver uma melhor concepção sobre nós mesmos, do que somos e então pensarmos como produzir uma mudança em nosso interior. Mudanças raras vezes são regulares. Temos altos e baixos, mas devemos ser progressivos, crescer de maneira mais eficaz. Se somos arrastados para baixo, devemos nos mover para cima novamente. Temos nossos estados de espírito. Mas precisamos ter um que seja dominante – calmo e espiritual. Se estamos com raiva, deveríamos pelo menos não envolver toda a nossa mente nisso. Mantenha ao menos uma parte da mente sob controle. Aprenda como permanecer inalterado. Mantendo seu equilíbrio mental. A verdadeira religião pode fazer isto acontecer?

Todos têm uma inquietação por algo mais elevado, é a fome da alma. Esta ‘fome da alma’ existe profundamente em nosso íntimo. Podemos nos esquecer dela temporariamente, mas esta ânsia sempre bate novamente à nossa porta."
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Trecho do livro Doses de Espiritualidade, de Swami Yatswarananda (1889-1966) - Centro Ramakrishna Vedanta Rio de Janeiro, 2014.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma Religião para o Homem Moderno

"A religião moderna deveria nos ensinar sobre nossa própria essência como Espírito. Isto é o que se requer da religião moderna, ou do ensinamento espiritual moderno. Se pudermos nos tornar cônscios daquela essência espiritual interior, nossas relações com o mundo inteiro sofrerão tremendas mudanças, porque veremos que esse 'Eu" está em toda parte. Como Espírito, 'Eu' estou em toda parte. É de fato esse 'Eu' que se manifesta como diferentes indivíduos. 

Está dito no Bhagavad Gita que, quando firo alguém, estou ferindo a mim mesmo. E se alguém me fere, fere a si mesmo. Somos todos um único e onipresente Indivíduo. Diferenças são causadas pelas roupagens que damos àquele Indivíduo, envoltórios que sobrepomos no Espírito, pensando que Este se divide. 

Nos textos em sânscrito, oferece-se a ilustração do 'pote' e do 'espaço' (ou akasha): um pote tem espaço em seu interior; esse é o 'espaço relativo ao pote'. 

No entanto, também do lado de fora o 'espaço' está presente. Portanto, não há limitação real do 'espaço'. A limitação é somente para nossa compreensão. Nós entendemos erroneamente que, uma vez que o pote é limitado, logo o espaço em seu interior também o seria. Da mesma forma, quando pensamos em nós mesmos como limitados pelo complexo corpo-mente, ocorre apenas que os indivíduos parecem ser diferentes uns dos outros. Mas suponhamos que a ênfase esteja no outro aspecto, o Espírito; nesse caso não haverá diferença alguma. 'Estou em tudo' - essa é a declaração da Vedanta.
'Seus pés estão em toda parte, Suas mãos estão em toda parte. Seus ouvidos estão em toda parte; Ele tudo cobre, tudo permeia.' (Svestavara Upanishad, III.16)
Deus está em todo lugar, o Espírito que mora em nosso interior: Ishvarah sarva bhutanam hrddeshe Arjuna tishthati (Bhagavad Gita, 18:61). 'Ele (Ishvara) reside no coração de cada ser.' Aquele Ishvara não é outro senão o meu Ser.
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Trecho do Artigo "A Vida Espiritual na Era Moderna, de Swami Bhuteshananda, Revista Vedanta, Out-Dez 2015. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Vós sois o sal da terra

"Ora, se o sal se tornar insosso, com que se há de salgar? Para nada mais serve, sendo para ser lançado fora e pisado pelos homens." Jesus Cristo

Na Índia, quando um discípulo busca um mestre, este, antes de mais nada, procura infundir-lhe confiança em si próprio, e o sentimento de que a fraqueza, a covardia e o fracasso não fazem parte da sua verdadeira natureza. No segundo livro do Bhagavad-Gita, quase às primeiras palavras de Sri Krishna — a encarnação divina — a Arjuna, lemos: "Que fraqueza é essa? Ela está abaixo de você... Livre-se dessa covardia!”

...um grande mestre vê o íntimo do seu coração. Entretanto, ele não o condena por suas faltas e fraquezas. Ele conhece a natureza humana. E porque sabe que, ao sentir-se fraco e deprimido, você não consegue realizar nada, não pode crescer espiritualmente — ele lhe transmite confiança em si mesmo. O mestre não enxerga apenas o que você é agora, mas também as capacidades que você pode desenvolver.

Ao mesmo tempo, impõe-se lembrar a bem-aventurança: "Bem-aventurados os mansos..." A mansidão e a confiança em si mesmo precisam estar juntas. A fé que Cristo incutia em seus discípulos, chamando-os de "sal da terra", não era a fé no Eu inferior, no ego, mas a fé no Eu superior, a fé no Deus dentro de nós. Com essa fé, vem a auto-submissão, a libertação de todo sentimento do ego. Aquele que entrega tudo a Deus, não possui um ego, no sentido comum. Nem consegue ser vaidoso ou orgulhoso. Tem profunda fé no Eu verdadeiro de seu interior, o qual se torna um com Deus.

As palavras de Jesus: "Sois o sal da terra..." relembra-me outras que meu mestre costumava citar-nos: "Vocês têm a graça de Deus, têm a graça do guru (mestre espiritual), e têm a graça dos devotos; mas, pela falta de uma única graça, vocês podem perder-se.”

Qual é essa graça única? É a graça da própria mente, o desejo de lutar em prol da perfeição. Se, a despeito de todas aquelas graças que nos tornariam "o sal da terra", falta-nos a qraça da nossa própria mente, podemos "ser pisados pelos homens". Precisamos empenhar-nos arduamente para entregar-nos por inteiro a Deus — a fim de que a divindade que está dentro de nós possa manifestar-se.
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Fonte: O Sermão da Montanha segundo o Vedanta, Swami Prabhavananda, São Paulo: Pensamento, 1993, trechos do cap. II.